Archive for ‘Entrevistas’

Agosto 6, 2009

Dawn of Tears: Entrevista a J. L. Trebol

por Paulo Trindade

Depois de marcarem presença no ultimo Hard Metal Fest em Mangualde os espanhóis Dawn of Tears regressam a Portugal para actuarem no Vagos Open Air neste fim de semana que se segue.

A banda reaparece assim com formação renovada e novo registo discografico, o Ep “Dark Chambers Litanies”.

J. L. Trebol prestou à Lusitania de Peso algumas declarações sobre as mais recentes novidades referentes à actividade da banda.

Depois do excelente “Descent” que foi alvo de optimas criticas e esteve na base de uma série de concertos nomeadamente em Espanha, a banda renovou a sua formação. Porquê e como se processou esta mudança?

No final da “Descent Tour” o relacionamento quer pessoal como profissional entre os elementos da banda encontrava-se demasiado deteriorado de forma que se as coisas continuassem na mesma direcção a dissolução da banda seria uma consequência lógica. Sendo assim eu e o Jesus (vocalista) decidimos renovar a banda. Foi um período difícil mas actualmente podemos dizer que nos sentimos mais fortes do que nunca e estamos bastante contentes com os novos elementos.

Com uma formação nova a banda editou o EP “Dark Chambers Litanies”. Onde e quando a banda procedeu à gravação do Ep? Quem trabalhou a produção do mesmo?

O E.P. foi gravado com antigo line up, mas devido aos problema no seio da banda não o conseguimos gravar, até Março deste ano. Gravamos o disco nos Cube Studios com Alberto Seara como engenheiro de som.

Para ti quais são as maiores diferenças entre “Descent” e “Dark Chambers Litanies”?

O género musical é similar, no entanto penso que o novo trabalho é mais negro do que “Descent”. A grande diferença concide na produção, “Dark Chambers…” soa mais pesado do que o antecessor, todas as guitarras ritmo e baixo foram gravadas duas vezes. Além disso existem mais arranjos orquestrais, por isso soa mais podereso.

A sensação que tenho é que o Ep tem recebidos optimas criticas. No entanto, qual tem sido a reação do público? Especialmente em comparação com “Descent”.

Quando terminamos as gravações do EP ficamos na expectativa se teremos superado “Descent”. O nosso primeiro álbum recebeu excelentes criticas por todos o mundo. Fomos nomeados pela Metal Storm como o melhor álbum de Death melódico de 2007, na mesma categoria dos Dark Tranquility ou Arch Enemy. De momento estamos bastante surpresos e satisfeitos com a recepção de que o Ep tem sido alvo por todo o mundo. E para ser sincero penso que realizamos um bom trabalho, mesmo melhor que o nosso primeiro álbum.

Como trabalham em termos de composição?

Normalmente eu componho os arranjos musicais e depois de a musica estar completa eu e o J. Alonso trabalhamos nos textos em conjunto. Pode acontecer que esta forma como compomos a musica possa mudar no futuro porque temos 3 membros novos na banda.

Vão estar em Portugal no dia 8 no Vagos Open Air. Este evento tem algum significado especial para vocês?

We are really excited with this event. Dawn of Tears já actuaram como banda de suporte a bandas de renome internacional como Dimmu Borgir ou Charon, mas nunca num festival ao ar livre (Open Air). Temos apenas 30 minutos de actuação, mas mal conseguimos esperar para actuar no festival e mostrar às pessoas do que somos capazes…

Vocês não são propriamente desconhecidos em Portugal, estiverem recentemente em Mangualde. Como é a relação do público português com a banda?

Fantastico!!! Quando actuamos no Hard Metal Fest ficamos surpreeendidos com a reação do público português. Os headbangers portugueses são completamente malucos!!! E nós adoramos!!!

Fora o concerto de 8 de Agosto vocês já têm mais algumas datas de promoção ao Ep. Quais são elas?

Vamos actuar agora no Revoltallo Festival em Vigo. E depois disso vamos estar em tour por Espanha até ao final do ano, estamos, a preparar também a nossa primeira digressão mundial…

Vocês têm algum merchandising para venda? Como pode ser adquirido?

A maneira mais facil para adquirir o nosso merchandising e através de www.transylvaniagothic.com, via paypal.

Ultimas palavras para o público português…

Quero agradecer em nome da banda à Lusitania de Peso pela entrevista e deixo um convite a todos para fazerem o download gratuito dos nossos discos, através do nosso site.

Encontramo-nos em Vagos.

Dawn Of Tears são:

J. Alonso (voz)
J.L. Trebol (guitarra)
A. Perez (guitarra)
Konrad (baixo)
I. Perez (bateria)

Ligações:

Site Oficial – http://www.dawnoftears.com/
MySpace – http://www.myspace.com/dawnoftears

Relacionado:

Dawn of Tears – Dark Chamber Litanies

Agosto 5, 2009

Echidna: Entrevista a Pedro Fonseca

por Paulo Trindade

O álbum de estreia, “Insidious Awakening”, permitiu aos Echidna granjear considerável naipe de seguidores ao qual não foi alheia um grande participação de eventos ao vivo de onde se destacam o Alliance Fest e o In Ria Rocks (Vagos) no ano passado. A banda volta este fim de semana a Vagos para participar em mais um grande evento, o Vagos Open Air.

A Lusitania de Peso esteve à conversa com o vocalista da banda, Pedro Fonseca, para conhecer as expectativas da banda para este evento e os seus planos futuros.

O inicio do percurso dos Echidna remonta a 2001. Como tem sido o percurso da banda até à data?

Tendo em conta todas as dificuldades e falta de apoio que as bandas do underground nacional enfrentam, não nos podemos queixar. Quando nos estreámos em palco no extinto e lendário Hard Club em 2005, a fazer a primeira parte de uma noite de concertos para uma pequena plateia composta maioritariamente de amigos (abraços a todos eles!), não pensávamos que, volvidos 4 anos, estaríamos a tocar em festivais nacionais de grande dimensão com bandas de renome internacional e álbum editado. É certo que tudo isto foi conseguido à custa de muito trabalho e dedicação, mas não deixou de nos surpreender.

Cerca de uma ano após o lançamento de “Insidious Awakening” a banda pode fazer um balanço de forma mais fria. Qual é esse balanço?  Qual tem sido os pontos mais fortes e menos fortes do álbum?

O Insidious Awakening continua a ser um álbum que nos satisfaz. Em termos de produção, correspondeu às nossas expectativas. No que toca à composição, apesar de continuar a nos representar a nível criativo, sentimos necessidade de introduzir elementos inovadores num futuro registo. Os pontos fortes, no nosso entender, serão a coesão do álbum enquanto um todo e o trabalho de guitarras no qual sempre apostámos.

Em relação às actuações de promoção ao álbum. Quais foram para vocês os momentos mais marcantes?

Felizmente tivemos muito boa recepção nesta tour nacional de promoção do álbum. No que toca a momentos a destacar, e começando pelo início da “No Lenience Tour”, no Alliance Fest em Agosto do ano passado foi excelente e nunca mais esqueceremos o calor com que o pessoal da zona Sul nos recebeu às quatro e meia da tarde. Outro a destacar foi o concerto em Coimbra, no Via Latina, em Novembro de 2008. A nossa primeira vez em Coimbra, e tivemos uma afluência enorme de pessoal a cantar os nossos riffs, o que nos apanhou completamente desprevenidos. As Rastilho Metal nights, claro, e o Moita Metalfest, em Março deste ano, que foi excelente tanto pelo convívio com o pessoal das bandas, como pelos concertos, sempre ao mais alto nível. Para finalizar, a nossa primeira presença no SWR Barroselas este ano, que, para encurtar, partiu a louça toda. É de facto dos melhores festivais que temos por cá.

Parece que em Portugal a banda tem conseguido graças à enorme quantidade de actuações, algumas actuações em eventos de média/grande dimensão. Os Echidna estão bem projectados nacionalmente dentro da cena metálica. A nível de exterior fica a sensação que ainda falta muita coisa,  pese embora as boas criticas ao álbum. Comungam desta opinião? Pensam que será possível a internacionalização da banda trabalhando com  a Rastilho Records?

Concordamos evidentemente com a tua opinião. Sempre pretendemos afirmar-nos no nosso país antes de começarmos a atacar no estrangeiro. As críticas estrangeiras ao álbum, que como saberás foi distribuído para a Alemanha e Holanda, são um bom ponto de partida, mas há ainda muito trabalho a fazer. O Pedro Vindeirinho da Rastilho tem-nos ajudado bastante, e é um dos objectivos dos Echidna para 2010 conseguir datas na Europa. Quanto a outras oportunidades, apenas o futuro o dirá.

A banda vai continuar a promover ao vivo o álbum durante mais quanto tempo? Quando têm previsto o inicio de trabalhos para um novo registo?

O concerto deste fim-de semana no Vagos Open Air irá marcar o fim da “No Lenience Tour”, um ano após o seu início no Alliance Fest. Apesar de termos mais algumas datas até ao fim do ano, são casos pontuais, pois estamos já ocupados com a composição de um novo álbum que se irá prolongar até ao fim do ano, e mais não digo (risos).

Este fim de semana voltam a Vagos, onde estiveram no In Ria Rocks, para um evento de maior dimensão. Ao nivel do Alliance Fest de Agosto do ano passado em que também marcaram presença. O que esperam de um evento destes? Com que expectativas partem?

Esperamos um evento bem organizado, com muito boas condições, à semelhança do In Ria Rocks e do Alliance Fest. Em eventos desta dimensão as expectativas são sempre altas, e pela experiência que tivemos com estas mesmas pessoas no passado, contamos com muito profissionalismo. A nível de público é sempre difícil fazer previsões, mas quer estejam 10 ou 10 000 pessoas nós prometemos dar o nosso melhor.

Ultimas palavras para os lusitanos de peso….

Apoiem as bandas nacionais. Apoiem todos os eventos de metal. Continuem a mostrar nos concertos como se faz na terra de Viriato! Ah, e comprem o nosso CD e as nossas T-shirts, para que possamos fazer mais e melhor (risos). Abraços a todos

Echidna são:

Pedro Fonseca (voz)
Miguel Pinto (baixo)
David Doutel (guitarra)
Pedro Lima (guitarra)
Tiago Cardoso (bateria)

Ligações:

Myspace – http://www.myspace.com/echidna
Editora – http://www.myspace.com/rastilho

Agosto 4, 2009

Entrevista a Kathaarsys

por Paulo Trindade

Os galegos Kathaarsys vêm este fim de semana a Portugal, apresentar o seu mais recente registo “Anonymous Ballad” ao vivo no Vagos Open Air.

Conheçam a banda pelas palavras de José L. Montáns o vocalista e guitarrista da banda.

A banda iniciou actividades em 2002. Podes descrever de forma sucinta a carreira de Kathaarsys? Quem são os Kathaarsys?

Os Kathaarsys iniciaram como um projecto cujo objectivo era fazer de boa música sem qualquer interesse nas tendências de metal. Sempre fizemos a música que queremos e foi uma surpresa total para nós quando nossa música estranha estava a ser apreciada por tantas pessoas nos últimos tempos. Os primeiros anos foram de trabalho árduo para atingir um estilo próprio. Em 2005 nós lançamos o “Portrait Of Wind And Sorrow” e iniciamos a promoção, excursões, etc.. Depois de alguns problemas de line-up até conseguirmos estabelizarmos a formação com os elementos actuais. Depois de assinarmos com a Silent Tree Productions editamos o “Verses In Vain” em 2007. Este foi um ano de nuclear importância para nós com 2 tournés europeias e alguns eventos de grande dimensão. Actualmente estamos a promover o nosso terceiro álbum, “Anonymous Ballad”, tocando na Europa e America. Quem são os Kathaarsys? São três doidos que adoram a música, sem limites.

A vossa música não é de definição facil. Como a descrevem? Falem-nos das vossas letras…

Pergunta bem difícil. Nós somos pessoas com uma mentalidade o mais aberta possível, gostamos de variadíssimos estilos de música e por isso a nossa música resulta numa espécie de mistura dos estilos que gostamos e pretendemos. Podemos definir a nossa música com metal progressivo com elementos acústicos, psicadélicos e do mais extremos também. Quantos às letras, elas são o mais natural possível, nada de extraordinário, muitas vezes estão relacionadas com a nossa terra, a Galiza. Outras vezes são mais intimistas mas sempre relacionada com o doentio mundo moderno em contradição do paganismo e o património natural.

Depois dos sucessos de “Portrait of Wind and Sorrow” e “Verses In Vain”, lançaram “Anonumous Ballad” no inicio do anocorrente. Onde tiveram lugar as gravações e com que equipa trabalharam na produção do álbum?

Estavamos em digressão pelo continento americano quando o produtor Carlos Ripetta, ofereceu-se para nos lá o nosso novo registo, e sendo assim “Anonymous Ballad” foi gravada em Buenos Aires (Argentina) em La Nave de Oseberg Studios onde Tarja Turunen e muitas outras banda de metal gravaram. Podemos então dizer que estamos muito com os resultado obtido e o artwork desenvolvido por Kris Verwimp é também fabuloso. Portanto, tudo resultou perfeitamente.

Como é que trabalham em termos de composição? A banda tem um nucleo criativo ou todos se envolvem no processo criativo?

Normalmente sou eu que componho, mas em “Verses In Vain” e “Anonymous Ballad” os arranjos surgiram de um trabalho colectivo.

Já realizaram algumas actuações ao vivo de promoção ao “Anonymous Ballad”. Qual foi a sensação que tiveram da reação dos fâs ao novo álbum?

Sim, realizamos uma digressão completa pela Europa e alguns eventos avulso e a reação foi excelente. É espantoso para nós nos apercerbermos que as pessoas gostam da nossa musica estranha e complexa.  É algo de mágico te apercerberes que nem todas se cingem a modas e tendencias estupidas dentro do metal, que existem pessoas que apreciam e reconhecem a originalidade da musica e o trabalho árduo.

Como e por quem são agendados os vossos concertos?

O booking da banda é da responsabilidade da Silent Tree Productions.

Como é a vossa relação com a vossa editora, a Silent Tree Productions?

Muito boa. A nossa relação baseia-se num principio facil, ambas as partes devem trabalhar.

Como é a cena dentro do metal em Espanha?

Hummm, outra pergunta dificil. Existe uma linha classica do Heavy Metal com forte actividade e uma cena mais underground muito pobre. Existem muitas banda mas em termos dos media, editoras e promotores a actividade é muito reduzida. Pensavamos que a internet podia mudar mas a unica mudança que verificamos foi um ligeiro aumento de seguidores acérrimos. Não nos parece que se possa falar na realidade de uma cena underground em Espanha.

Vocês actuaram algumas vezes em Portugal, mas nunca num evento com a dimensão do Vagos Open Air. Quais são as vossas expectativas?

Apenas queremos mostrar a nossa musica ao publico português. Um excelente publico, sem duvida. Nós ficamos com optimas memórias e esperamos fazer alguns bons amigos…

Ultimas palavras para os nossos leitores…

Conheçam o nosso material na internet e ao vivo em Vagos.
Portugal fucking rules!

Kathaarsys são:M. Barcia (baixo)
J. L. Montán (voz/guitarra)
A. Hernández (bateria)

Ligações:

Site oficial – http://kathaarsys.org/
Myspace – http://www.myspace.com/kathaarsys
Editora – http://www.silenttree.org/

Julho 2, 2009

Rock Like an Animal: Entrevista a Insanus

por Paulo Trindade


Na senda da divulgação do evento Rock Like an Animal a Lusitania de Peso entrevistou mais uma banda que vai marcar presença em palco, os bracarenses Insanus.

Apesar de existirem desde meados de 2007 só em 2009 é que a banda surge com algum realce na cena underground? Falem-nos um pouco da vossa historia…

A banda formou-se em 2007, quando eu (Snake), o João (Guitarrista) e o Hugo (Baterista) decidimos criar um projecto. Mais tarde, o Barros (Baixista) e o Luís Pedro (Guitarrista) fecharam o line-up. No início foi necessário trabalhar para conseguir marcar alguma posição no panorama nacional. Feito esse que está e estará sempre em constante desenvolvimento. Queremos “espalhar a palavra” e partilhar o nosso som com todos aqueles que se mostrem receptivos ou que, por algum motivo, se identifiquem com o nosso trabalho.
Estamos agora a ganhar mais espaço muito por causa do nosso EP de estreia que vai ser lançado este ano!

A banda terminou recentemente as gravações do primeiro trabalho, que sairá em formato Ep. O que podem adiantar sobre este vosso trabalho?

Sinceramente, superou as nossas expectativas. Para um primeiro trabalho, acreditamos que está muito boa malha mesmo. A cena que se pode esperar é um Death Metal com peso mas também com muita melodia à mistura. Penso que somos um pouco suspeitos a falar do nosso som (é normal), por isso é que peço ao pessoal para se chegar à frente, ouvir e formular a sua própria opinião sobre nós.
Liricamente, o EP baseia-se na criação (Nós) e nas dúvidas constante sobre a vida, a morte e o propósito da nossa existência.
“Wrath Of Creation” foi o nome que se adoptou para este primeiro trabalho e a data prevista para o seu lançamento, andará entre Setembro e Outubro deste mesmo ano.

Foto de Autoria de Sara ReisAo colocarem um tema para streaming no MySpace já devem ter recebido algumas opiniões. Foram elas…

Já tivemos algumas opiniões, é verdade. Penso que para uma primeira impressão, não está nada mal. A cena tem sido bem recebida e os comentários têm dado bastante força. Mas ainda estamos uma fase primária. Com o tempo, seremos capazes de falar melhor sobre este assunto. Podemos dizer que estamos à vontade para qualquer tipo de opinião, desde que bem formulada, porque todas elas nos ajudam a fortalecer e a evoluir o nosso trabalho!

O nome adoptado pela banda parece ser um pouco o espelho daquilo que é a vossa dinâmica, a vossa atitude. Certo? Expliquem-se.

O nome vem do latim e significa “possesso”. O propósito do nome, não está relacionado com o seu protótipo demoníaco mas sim com a nossa forma de sentir/viver aquilo que fazemos. Encarnamos a música de tal forma, que fazemos emergir um outro eu. E ficamos possessos, pela música, pelo ambiente, pelo público.
É esta ideia que preenche o nosso nome, o nosso ser.

No próximo dia 3 vão actuar no Rock Like an Animal, um festival de beneficência. Quais são as vossas expectativas para o evento?

Para falar a verdade, nunca temos grandes expectativas para os nossos concertos. Trabalhamos para que corra sempre pelo melhor, mas deixamos a cena acontecer naturalmente. Quanto a este Rock Like An Animal Fest, esperamos que apareça muita gente e que o pessoal tire proveito do evento.
Vai ser uma boa noite de convívio e rock’n’roll!!

Ultimas palavras para os lusitanos de peso…

ACREDITEM NO METAL NACIONAL! É talvez a mensagem mais importante que queremos passar aos lusitanos de peso. É óbvio que olhamos para o estrangeiro e vemos bandas com uma qualidade tremenda, mas lá fora, há outra mentalidade. Há muita cena de valor aqui, no nosso país. O que é preciso é acreditar e trabalhar para nos podermos ajudar uns aos outros.
Portanto, além das grandes cenas internacionais, ouçam e apoiem o produto nacional.

Julho 1, 2009

Rock Like An Animal: Entrevista a Coldfear

por Paulo Trindade


Terminadas que estão as gravações do Ep “Decadence in the Heart of Man” os Coldfear voltam aos palcos, sendo a próxima actuação no evento Rock Like an Animal no próximo dia 3. Com o intuito de tomar pulso à actividade da banda a Lusitania de Peso teve uma pequena conversa com o seu baixista Chiko.

Com origem em 2005 os Coldfear têm sido uma banda sempre em crescendo. Podem fazer um ligeiro balanço do que tem sido a vossa carreira?

A nossa “carreira” tem tido uma progressão normal, nem muito lenta, nem muito rápida, tudo a seu tempo. Nunca fomos de forçar fosse o que fosse, por isso é que só passados 2 anos do lançamento da nossa demo, é que achamos que seria a altura ideal para gravar algo mais e mostrar um pouco da progressão dos COLDFEAR. Neste momento queremos é pôr o EP cá fora, seja com ajuda ou não, e dar o maior número de concertos possíveis para promovê-lo.

A banda prepara-se para lançar um EP. Com que expectativas?

Nós andamos sempre em “guerra” com o optimismo e o pessimismo (risos). Há dias que achamos que vai ser êxito tremendo, tem outros que nem por isso (risos), mas acredito que o pessoal irá gostar bastante deste trabalho, até porque os COLDFEAR estão bem mais maduros e isso nota-se bem neste EP.

Em relação ao EP querem adiantar algo?

O EP já se encontra gravado como é óbvio, mas continuamos com ele em espera, porque temos tentado arranjar qualquer tipo de ajuda através de editoras/distribuidoras. Nós temos a perfeita noção que estamos a lançar um EP e não um albúm e isso torna-se ainda mais complicado, mas seja como for, mais cedo ou mais tarde salta cá para fora. Já temos também adiantada a capa do EP, feita pelo Gusto (IrondoomDesign) dos Headstone, que ficou com um trabalho acima da média.

Presumo que fazem um balanço positivo do trabalho desenvolvido nos Ultrasound Studios…

Sim claro, sem dúvida. Foi uma boa experiência onde aprendemos bastante e correu tudo dentro da normalidade. Foi a nossa primeira vez num estúdio, mas correu tudo bem e conseguimos fazer tudo o que pretendíamos, o que nos deixou bastante contentes, tanto a nível pessoal e como banda.

A inclusão de “Creators of Blinded Evolution” para escuta no MySpace deve ter contribuído para um primeiro pulsar daquilo que será a reacção do público ao EP. Que opiniões vos fizeram chegar?

Foi um pulsar bem agradável se queres que te diga. O pessoal tem curtido bastante o tema, o que nos tem deixado com boas expectativas para o lançamento do EP. Foi o tema que achamos que seria ideal para funcionar como “single” e até agora acho que acertamos (risos).

Já têm planeada alguma série de eventos para promover o “Decadence in the Heart of Man”?

Planeado sim, marcado ainda não, porque ainda não temos data de lançamento para o EP. Tencionamos andar por esse país fora e deixar um pouco as raízes do Norte e experimentar o público do Sul (risos). Temos sim alguns concertos marcados agora em Julho, mas para já tocaremos 1 ou 2 temas do EP. Até lá o pessoal ainda vai ter de levar com as velhinhas músicas dos COLDFEAR.

No próximo dia 3 vão actuar no Rock Like an Animal. Que significado tem para vocês tocar num espectáculo desta natureza?

Para nós é sempre bom trabalhar com o pessoal da Rosavelho, seja em que evento for, porque trabalham sério e com profissionalismo. A iniciativa é sem dúvida de louvar e o pessoal da Rosavelho está de parabéns mais uma vez.

Ultimas considerações para os nossos leitores…

Antes de mais, obrigado pela oportunidade e continuação de bom trabalho com a Lusitania de Peso.

Gostaríamos de aproveitar a oportunidade de agradecer uma vez mais à Rosavelho pelo convite e espero que o pessoal apareça para podermos “rockar” e ao mesmo tempo ajudar nesta causa. Quanto a nós, só podemos dizer para ficarem atentos, porque ainda teremos mais novidades prontas a virem por aí e para quem ainda não ouviu o nosso novo tema, que passe agora no nosso MySpace (risos).

Maio 27, 2009

Entrevista a Soturnus

por Paulo Trindade

Formados em 2000 os Soturnus contam com um álbum no activo que os colocou numa das maiores revelações do Doom brasileiro. Conheça-os na primeira pessoal através de uma conversa que a banda manteve com Miguel Ribeiro.

Qual a origem do nome Soturnus?

Apenas procurávamos um nome que não fosse composto como Tears of Serenity, Lake of Silence e coisa do tipo. Procurávamos um nome que fugisse um pouco do lugar comum. Então decidimos por ‘Soturnus’,
justamente por causa os significados por trás de dele, como melancólico, sorumbático, triste.

Quais as principais diferenças entre a vossa demo de 2001 e o álbum “When Flesh Becomes Spirit”?

Em 2001, tínhamos uma proposta de fazer um som mais Gótico e, por isso, tínhamos vocais femininos e teclados na banda. Cerca de um ano antes do lançarmos o algum, tivemos uma grande reformulação na banda, com a saída de 3 integrantes. A partir disso, resolvemos mudar nosso direcionamento musical, abolindo os vocais femininos e os teclados.
Com isso, ficamos mais rápidos e pesados e nossas influencias de Death e Doom Metal ficaram mais latentes.

Como foram as criticas ao vosso álbum?

As criticas estão sendo extremamente positivas. O álbum foi objecto de critica nos principais veículos especializados aqui do Brasil. Estamos dando varias entrevistas. O público está dando uma ótima resposta à nossa música. Estamos bastante satisfeitos e orgulhosos do trabalho.

Com as entradas do Marcos Meireles e do Eduardo Borsero os Soturnus vão continuar a seguir a mesma linha sonora?

Seguiremos a mesma linha, mas acredito que a parte gótica terá menos espaço nas composições, pois tanto Marcos como Borsero tem mais influencias de Death e Doom metal. Enfim, ficaremos ainda mais pesados e rápidos.

Como surgiu a ideia de usarem no refrão da musica “Pain” versos do poeta Augusto dos Anjos?

Esse trecho é, na verdade, parte de um poema de Augusto dos Anjos que adaptei para encaixar no refrão dessa música. Resolvi deixar em português para dar uma ênfase maior ao texto, que é bastante forte, e também por causa da sonoridade. Em inglês poderia não ficar tão bom. E também, foi uma forma de homenagear uma das minhas influencias literárias. Acho que funcionou, essa é uma das músicas que o público mais gosta.

Já alguma vez pensaram compor um tema todo em Português?

Já pensamos sim. Inclusive tínhamos outros temas com refrão em português, mas que não entraram no álbum. Mas,no momento, o mais fácil de acontecer seria fazer um releitura de alguma música do artista
brasileiro Zé Ramalho, que é aqui do nosso estado e nasceu em nossa cidade. Fariamos uma releitura de uma música chamada “Cançao Agalopada” que possui versos fortes e interessantes. Ficaria realmente
ótima se adaptada para o Doom/Death Metal.

De que falam as vossas letras?

Sempre valorizamos muito a parte literal das músicas. Todas as nossas influências são de bandas que possuem uma parte literal forte e parte fundamental no processo de composição musical. Em Soturnus não poderia ser diferente e nossas letras são parte fundamental da nossa música.

Acho que o tema principal são as dores e paixões humanas. Sejam elas as pessoais, sexuais ou psicológicas.

Quais as vossas principais influências?

Nossas principais influencias são as grandes bandas inglesas de Doom do inicio dos anos noventa como Paradise Lost, My Dying Brinde e Anathema, passando, também, por Amorphis e Sentenced e indo até Dark Tranquillity , Soilwork e Opeth.Ou seja, tudo muito variado mas sempre com alguma coisa em comum. Claro que isso tudo vem junto e misturados aos grande pilares do metal como Black Sabbath e Metallica por exemplo.

Expliquem um pouco de como se desenrola o vosso processo de composição?

Basicamente,os riffs são compostos pelos guitarristas. Hoje em dia, com toda a facilidade que temos de gravação e todos esses programas, os guitarristas já nos mandam arquivos em MP3 com os riffs, alguns
arranjos e a levada de bateria que eles pensaram. Nos ensaios nos tocamos e vamos ajustando tudo, podando algumas arestas, fazendo arranjos, mudando uma coisa aqui ou outra ali. Eu faço todas as
letras, escolhendo o tema de acordo com o sentimento passado pelo instrumental.

Para o disco, as composições foram feitas de forma mais “old school” com os guitarristas tocando os riffs para o resto da banda no próprio estúdio e nós todos decidindo que parte iria ficar ou que levada de
bateria determinado riffs pedia. As letras tiveram a participação tanto minha com de Rafael e da antiga vocalista, Aline.

Desde o inicio da banda qual acham que foi o vosso ponto mais alto?

Com certeza foi quando lançamos o álbum “When Flesh Becomes Spirit”.
Tivemos óptimas criticas, fizemos shows incríveis. Fomos a primeira banda de metal do nosso estado, depois de muitos anos de estagnação da cena na região, a lançar um album oficial de metal. Nossos fãs
receberam muito bem o novo trabalho e hoje somos vistos como outros olhos pela critica, pelos produtores de show, pelas outras bandas e pelo público.

Para quando concertos em Portugal?

Estamos compondo o material para o novo disco. Pretendemos lançá-lo próximo ano. Não temos contactos em Portugal, mas sim na Suécia. Então, não seria difícil aparecermos pela Europa para alguns concertos no segundo semestre do próximo ano ou no primeiro semestre de 2011.

Que bandas conhecem vocês de Portugal?

Somos muito fãs do Moonspell, achamos uma grande banda,inclusive eu vi um show deles no festival Wacken Open Air em 2007 e foi simplesmente fantástico! Outra banda de gosto muito é o Heavenwood, possuo um álbum deles chamado Diva que é incrível, mas não sei se eles estão na activo ou se ainda fazem o mesmo tipo de som.

Principais projectos para o futuro?

Estamos compondo o material novo. Está tudo programado para ser lançado no primeiro semestre de 2010. Depois que lançarmos vamos cair na estrada para divulgá-lo.

Deixem uma mensagem soa nossos leitores

Muito obrigado pelo apoio e pelo espaço!
Espero que vocês gostem do nosso som!
Acessem nosso myspace, escutem nossas músicas e deixem suas impressões!

Stay Dark!

Maio 20, 2009

Crystal Rain

por Paulo Trindade

Originários de Helsinquia (Finlândia) os Crystal Rain, cuja formação remonta a 2007, têm vindo a granjear uma crescente legião de fãs. A banda de metal gótico encontra-se a ultimar o seu primeiro álbum.

A Lusitania de Peso aproveitou o facto para conversar com Jay, o baterista da banda.

A entrevista foi conduzida por Miguel Ribeiro.

Explica qual o significado do nome Crystal Rain…

O significado é simples: musica deve ser tão bonita como uma chuva de cristais, se é que consegues imaginar como seria o som duma chuva de cristais…
Nós estivemos 5 meses sem nome, quando um dia ia eu a conduzir numa auto- estrada de Helsinquia para outra cidade e surgiu-me esse nome.
Estava um tempo ameno, ainda noite, e chovia…Claro:)

Conta-nos um pouco da vossa historia…

Eram três rapazes: Ryan (vocalista), Johnny (guitarra) e o Jay (bateria), e tiveram a ideia de formar esta banda, visto que a banda anterior cessou funções por existir nessa formação uma pessoa que queria mandar em toda a gente, dizia o que toda a gente devia fazer, como deviam de tocar, como deviam de cantar… enfim… Desta vez iria ser diferente, todos iriamos participar no processo criativo e na composição das músicas. Convidamos outro guitarrista e ele compunha as musicas connosco, mas ele saíu da banda recentemente, então achamos melhor continuar só com um guitarrista, um teclista e tem havido mais
baixistas. Agora contamos com um duo dinâmico entre as nossas baixista e teclista, e iremos anunciar novos músicos e novas músicas brevemente no nosso myspace.

No início vocês gravaram duas demos, como foi a reacção do público à vossa música?

Bem, a nossa primeira demo foi boa, nós conseguimos dar o nosso primeiro concerto graças a ela. A música “Kiss the Death” ainda é o nosso Hit.  Nós também temos uma longa balada “Let it Rain”, mas como era demasiado longa estamos neste momento a reescreve-la. Com a nossa segunda demo, tivemos alguns problemas tanto na gravação como na remistura, por isso os resultados não foram, infelizmente, o que estavamos à procura.

Em Outubro de 2007, vocês tocaram perante 1600 pessoas, podes descrever?

Foi uma experiência fantástica… Ainda me lembro quando eu estava no backstage antes do concerto, quase perdi os sentidos, não conseguia respirar. Porque realmente foi o nosso primeiro concerto e eu estava apenas habituado a tocar em pequenos bares para 50 – 100 pessoas… Mas quando entrei em
palco senti-me muito bem! O concerto, na minha opinião, correu bastante bem, para o nosso primeiro concerto…

A banda participou na Metal Compilation, como é que isso aconteceu?

Eles contactaram-nos pelo myspace, acho que existem muitas bandas finlandesas. Tivemos que pagar uma pequena quantia para que o CD pudesse ser editado, não foi uma quantia muito alta, 100 US dolars
penso eu. Depois mandaram-nos algumas cópias, puseram o CD à venda na amazon.com e em algumas lojas de música em L.A. Eu sinceramente não sei se ainda alguém comprará o CD (risos)

No fim de 2008, vocês laçaram uma edição limitada com dois singles, “Bleed for Me” e ” To Die For”. Quando será o lançamento do vosso primeiro álbum?

Sim, fizemos isso. Nós compusemos as musicas novamente com uma guitarra e sintetizadores e novas músicas, claro. Eu gostaria poder ver o nosso álbum sair no próximo ano…por isso 2010…

Vocês têm planos para tocar noutros países?

Sim, seria excelente começar algures no meio da Europa… Eu tenho ouvido que a audiência é fantástica na Suécia. Então talvez lá…

Conheces alguma banda do vosso género de Portugal?

Conheço os Moonspell. Os meus amigos da banda finlandesa Dead Shape Figure fizeram uma tourné com os Moonspell…Deve ter sido engraçado.

Quais são os vosso planos para o futuro?

Os planos são dar montes de concertos, para sermos cada vez mais enérgicos nos nossos shows ao vivo… e é claro, o álbum.

Quem é o responsável pela composição das músicas?

Bem, hoje em dia são o Ryan e o Johnny, desde que o outro guitarrista saiu. É claro que eu participo também em algumas partes dos arranjos…

As vossas músicas são sobre…

Eu penso que na vida em geral, nas emoções e nos relacionamentos. Algumas músicas terão também algo a ver com o mundo gótico e até com alguns filmes.

Qual foi até este momento, o ponto mais alto na vossa carreira?

Oh… talvez terá sido o nosso primeiro concerto. Foi algo tão inesperado naquela altura… Depois será o lançamento do nosso primeiro álbum, é a a primeira vez que conseguimos obter o som que realmente estávamos à espera…Tu irás ouvi-lo… 

Diz-me um lugar onde gostarias de tocar e com quem!

No Helsinki Tavastia Club claro! Bem, se perguntas com quem, seriam muitas bandas e muito difícil escolher uma…Hum… Paradise Lost  (risos)

Deixa uma mensagem aos nosso leitores.

Fiquem atentos… Nós estamos sempre numa fase de criação de novo material… Se vocês gostam do metal melódico e gótico, ouçam-nos! Um dia nos encontraremos na vossa cidade e lançaremos as nossas “setas de cristal” directamente nos vossos corações! 

Maio 2, 2009

Entrevista Neonírico

por Paulo Trindade

Depois da edição de “Opus 1:Limbu” os The SymphOnyx ganharam algum élan nomeadamente em alguns focos no estrangeiro.

Surpreendentemente a banda anunciou em meados do ano passado o inicio de um novo projecto, Neonírico, que viria suceder à antiga banda.

Para melhor compreender esta mudança e ficar a conhecer o álbum de estreia, “Renaissance” contamos com a colaboração da banda.

Eis o seu testemunho:

Esta é uma pergunta quase obrigatória para iniciar esta entrevista. Porquê a mudança de The SymphOnyx para Neonírico? Até porque o nome The SymphOnyx começava a ter “algum peso”, especialmente fora do país…

A mudança de nome deu-se por razões de estratégia e de forma desassombrada. É plenamente válido assumirmos esta transformação, até porque o disco surge numa fase de renovação da sonoridade da banda. Este assumir de um novo caminho requeria uma total viragem nos nossos objectivos e, embora possamos dizer que a conquista em nome The SymphOnyx tinha já atingido um patamar elevado, tomamos a liberdade de decidir uma nova dinâmica interna, um novo rumo, pelo que a primeira decisão tinha de ser a mudança de nome. Cabe-nos provar que não são os nomes que atingem objectivos, mas sim a qualidade, a perseverança e a determinação.

Curiosamente a designação da banda e o do álbum (“Renaissance”) então intrinsecamente ligadas ao “novo”, numa alusão à transformação da banda, dando a entender que surgiram com esse intuito. Podem explicar-nos melhor essa escolha?

De facto, podemos dizer que é nossa pretensão associar o novo trabalho e o projecto à transformação, ao renascimento. Adoptámos como símbolo a Fénix, que simboliza o renascimento pelo fogo e que reforça o carácter místico da metamorfose. O nome é uma conjugação de elementos que já estavam presentes no projecto anterior, mas que saem reforçados com esta nova abordagem. “Neo” de novo e “Onírico” de sonho são a súmula dos ideais que nos guindam na direcção desejada. Mas é sobretudo musicalmente que se dá a transformação. Estamos, com este disco, a reforçar a nossa perspectiva de transcendência, de poesia, de arte. É um todo complexo e abstracto, mas que se entende de forma gradual e se aloja nas nossas mentes e corações de maneira furtiva e apaixonada. É um disco muito emotivo.

“Angel of Faith” já permitiu de certa forma “medir a pulsação” daquele que é o barómetro de qualquer banda. As reacções estavam dentro das vossas expectativas?

O nosso single “Angel of Faith” tem obtido um feedback bastante positivo. A sua escolha recaiu no facto de reunir todos os ingredientes essenciais à construção da sonoridade da banda. Tem a emotividade, a força e a transcendência, que são a imagem de marca do projecto. Trilha um caminho que abre várias portas, convidando a uma introspecção, a uma reflexão, característica extensível a todo o disco. Temos passado em várias rádios e iremos participar em compilações, pelo que o tema seguirá uma consistente via de promoção. O trabalho de divulgação apenas agora começou, mas já estamos satisfeitos com os resultados obtidos.

Pela rápida audição do álbum parece-me que, embora beba alguma da essência do som dos trabalhos de The SymphOnyx, a música no seu todo apresenta uma textura bem diferente. Quais são para vocês as grandes diferenças?

São muitas as diferenças. Desde logo no método, pois passámos, previamente, por um processo de construção e análise da estrutura do disco que queríamos. Anteriormente, os trabalhos resultavam da reunião de temas dispersos, compostos ao longo do tempo. Desta feita, decidimo-nos por uma temática e organizámos um repertório que se enquadrasse no tema a abordar. Fomos colher inspiração em alguns dos poetas mais importantes da literatura (José Maria Barbosa de Bocage e Charles Baudelaire), à qual juntámos a nossa visão/interpretação. O resultado foi um hibridismo de emoções, sempre apelando aos sentidos, mas sem nunca deixar de mostrar lucidez, numa clara afirmação do carácter sério e empenhado do projecto. Reconhece-se, de facto, a base musical que inspirou The SymphOnyx; tal deve-se ao facto de, num e noutro caso, o compositor ser o mesmo (Martinho Torres), porém, a direcção deste trabalho mostra uma maior abertura a novas correntes estéticas, a novas áreas musicais. Há pinceladas de experimentalismo e electrónica, sendo a paleta de sensações completada com intrincadas ambiências que remetem para o carácter narrativo do disco.

Querem falar um pouco sobre a equipa técnica que trabalhou neste disco dos Neonírico?

A banda, formada pelo João Guimarães e Carla Ricardo nas vozes, pelo Martinho Torres na guitarra e pelo Carlos Torres na bateria, contou com uma naipe alargado de músicos e técnicos na construção do disco. “Renaissance” foi produzido por Rui Ferreira e João Guimarães, ficando os arranjos orquestrais a cargo de Tiago Abreu. Houve ainda a participação de um sexteto de músicos clássicos e de vários convidados, o que reforçou a tónica multifacetada do trabalho.

Em termos líricos que temática, ou temáticas, aborda “Renaissance”?

A temática do disco é a Morte. Em todos os sentidos. A morte física, espiritual, social e todas as outras que ocupam o nosso imaginário. Há algo de trágico em cada um de nós e quisemos explorar esse lado obscuro, dando luz a uma matéria complexa. É uma experiência a que todos temos de nos sujeitar, daí a universalidade do tema. Vivemos esse momento e fomos à procura de uma explicação simples para as emoções. Deixámos transparecer no disco uma miríade de pensamentos, de reflexões e, na construção dessa pirâmide, ultrapassada a devastação e a dor, consolidamos uma visão apaziguadora, deixando aberta a porta da (re)conciliação com o belo e com a vida.

Dedicam o álbum em memória de Maria José. É possível desvendar esta homenagem?

A dedicatória a Maria José é, de facto, muito especial. São várias as razões: antes de mais, por ser a mãe de dois dos elementos da banda; depois, por ter sido a principal impulsionadora do projecto, pois partiu dela a iniciativa de proporcionar condições à banda para obter parte do êxito que tem. Com ela, tornou-se difícil desistir, pois incutiu-nos sempre confiança e vontade. Foi um investimento pessoal que deu os seus frutos e que perdurará, sendo nossa obrigação perpetuar o seu nome.

Contam para já com 3 concertos agendados para Maio e Junho. Estão a programar alguma série de actuações pelo país de promoção ao álbum? E fora de portas?

Antes de mais, convém realçar que nos têm sido dirigidas várias propostas para tocarmos nos mais diversos locais, porém, o nosso espectáculo exige recursos que implicam custos, e nem sempre nos são apresentadas as condições ideais para nos produzirmos ao vivo. Estes três espectáculos serão uma espécie de “warm-up” de uma Tour que pretendemos alargada a todo o país. A promoção do disco e os eventos que lhe estão associados estão a ser agendados com bastante antecedência, pois contamos estar na estrada até meados/finais de 2010. Iremos também promover algumas iniciativas que se prendem com a apresentação formal do álbum, tal como a que acontecerá na Biblioteca de Moreira de Cónegos, no próximo dia 16 de Maio, pelas 21h30. Os espectáculos fora de portas estão também a ser programados, embora neste caso dependamos mais dos agentes do que da nossa própria vontade, mas iremos procurar viabilizar uma agenda no estrangeiro.

O concerto de apresentação do álbum em Fafe está a ser preparado de uma forma especial? Querem levantar o véu sobre como serão os concertos dos Neonírico?

Quem assistir ao nosso espectáculo pode preparar-se para uma viagem singular. Haverá novos elementos a nível cenográfico, mas deixamos em aberto a possibilidade de ser o público a descobrir e desfrutar do nosso concerto. Estão, desde já, todos convidados a comparecer no espectáculo de apresentação, em Fafe, no dia 22 de Maio, pelas 22 horas, com entrada livre. Quem não puder fazê-lo terá nova oportunidade a 30 de Maio, no auditório de Lousada, ou então em Moreira de Cónegos, no dia 12 de Junho.

“Renaissance” conta com a edição via Ethereal Sound Works. Como está a ser processada a distribuição? O disco está disponível para venda em qualquer loja?

A distribuição segue os trâmites normais e estará à venda em vários países. A nível nacional, e dado que vivemos a era da informática, o mais simples é adquirir o disco através da editora em www.etherealsoundworks.com ou através do nosso site em www.neonirico.com. De qualquer forma, estará à venda em algumas lojas da especialidade e na Fnac. 

Últimas palavras para os vossos seguidores…

Um muito obrigado à Lusitânia de Peso e aos seus leitores, que são a voz deste Portugal Onírico. Acreditamos que a música nacional é uma linguagem e um património universal, pelo que pedimos que a apoiem, visitando-nos em www.neonirico.com ou www.myspace.com/neonirico.

Abril 20, 2009

Divine Lust

por Paulo Trindade

“The Bitterest Flavours”, editado no final do ano transacto marca o regresso “em força” dos Divine Lust aos registos discográficos.

Trabalho esse que representa um passo em frente de uma banda experiente e madura. Alguns meses após a edição do trabalho pela francesa Deadsun Records faria sentido procurar entender melhor a obra e o percurso que a antecedeu. Para tal contamos com a contribuição de João Costa (bateria) e Filipe Gonçalves (voz/guitarra).

Depois do primeiro álbum em 2002 gerou-se uma considerável expectativa nada faria esperar que demorassem 6 anos a ser editado um novo álbum. O que levou a tão longo período? Que mudanças sofreu a banda?

João – Foram vários os motivos para este hiato de 6 anos: 2 anos dedicados apenas a compor novos temas, problemas a nível pessoal e profissional na vida de praticamente todos os elementos da banda, a promoção “invisível” junto de editoras – primeiro com um EP de 4 temas gravado em 2004 e depois com o próprio álbum -, um demorado processo de gravação e até algumas mudanças de line-up, como não poderia deixar de ser… Contudo, temos hoje uma formação estável e coesa. Por um lado, o “núcleo” criativo da banda é formado pelos 2 fundadores, eu e o Filipe, que compusemos praticamente “a meias” tanto este álbum como o anterior. Até agora, as coisas funcionaram assim. Por outro lado,  o António Capote (teclista) já toca connosco há 6 anos e o Ricardo Pinhal, guitarrista, há 5. Para completar, apesar de não ter feito parte da formação que gravou “The Bitterest Flavours”, o nosso baixista é o Jorge Fonte, que gravou o primeiro álbum e esse EP promocional que referi, a que chamámos “Harvest 2004”.

Sei que os Divine Lust já tinham o álbum masterizado antes de sequer terem uma editora, certo? Como entrou a Deadsun na história da edição de “The Bitterest Flavours”?

Filipe – Sim, de facto decidimos avançar para a gravação de “The Bitterest Flavours” sem termos quaisquer contratos com editoras. Tínhamos uns quantos contactos, algumas manifestações de interesse mas nada muito concreto. Seja como for, achámos a dada altura que teríamos de avançar para a gravação de um novo álbum desse por onde desse. Depois de termos “The Bitterest Flavours” gravado, decidimos enviar o produto final a algumas editoras. Após várias propostas, encetámos negociações com algumas e acabámos por chegar a um acordo com a Deadsun.

Ao ouvir “The Bitterest Flavours” a ideia que se cria é que valeu a pena a espera. A forma como o álbum tido recebido tem tão sido tão positiva quanto esperavam?

Filipe – Para te ser franco não sabia muito bem o que esperar relativamente a uma possível reacção a este trabalho. Apenas sabia que estava pessoalmente muito orgulhoso com o mesmo e isso, para mim é sem dúvida, o mais importante!

No álbum contaram com a prestação de Dikk (nota da redação: também ele produtor trabalho da banda) como baixista. Enquanto que nas vossas prestações ao vivo têm contado com os préstimos do Jorge Fonte, um antigo elemento Existe a possibilidade de virem a ter o Jorge como elemento efectivo da banda procuram outra solução para o futuro?

João – Quando gravámos o álbum, andávamos a tocar ao vivo com outro baixista. A colaboração desse baixista com os Divine Lust acabou precisamente após o início das gravações. Há males que vêm por bem já que o Dikk prontificou-se a gravar o baixo e fez um excelente trabalho. Havia que procurar novo baixista após as gravações e o regresso do Jorge surgiu de forma muito natural. Neste momento temos uma solução comfortável, tanto para nós como para ele. Eu diria que a única diferença entre o Jorge e os restantes 4 prende-se com o facto de ele não ter gravado o ábum e, por conseguinte, acabar por não ser uma parte tão interventiva nesse processo e nas tomadas de decisão relativas à gestão da banda no seguimento desta edição. Contudo, ele já toca connosco há praticamente uma década, com breves intervalos pelo meio e mesmo nesses intervalos a amizade e o contacto mantiveram-se. De ambas as partes, havia o pressentimento de que, mais cedo ou mais tarde, ele voltaria a tocar connosco. Ele acaba por ser um de nós, não havendo da nossa parte qualquer interesse em procurar outra solução.

Os Divine Lust assumem-se como uma banda que não se preocupa em seguir novas tendências, e a verdade é que em “The Bitterest Flavours” apesar de contar com a introdução de novos elementos musicais mantêm-se fiel à velha escola Doom. Isso pode ser interpretado como sinal de….

Filipe – De maturidade musical, acho. Não vamos em modas porque sabemos perfeitamente o que queremos, o que nos motiva e nos satisfaz do ponto de vista artístico. E o processo artístico genuíno deve ser algo extremamente individualista. Apenas fazemos aquilo que nos vai na alma, procurando inovar, melhorar a nossa forma de expressão musical, incorporando novas aprendizagens, experiências mas mantendo-nos fieis a esse fio condutor que nos realiza musicalmente.

Relativamente à introdução de outros elementos não tradicionais no metal surge com maior realce a utilização da guitarra portuguesa. Presumo que estejam satisfeitos da forma como a introdução deste instrumento resultou. Será para manter em próximos registos? No entanto parece que não é parte integrante da vossa formação ao vivo. Porquê?

João – Um dos objectivos neste álbum era, de certa forma, aprimorar e vincar a nossa identidade. A dada altura, senti que a guitarra portuguesa seria um bom “condimento”, tanto pela sua sonoridade, bastante melancólica, como por alguma originalidade que acaba por conferir, sobretudo para quem não esteja familiarizado com este símbolo da nossa cultura. Ficámos muito satisfeitos com o resultado final – inclusivamente os primeiros acordes deste álbum são tocados com esse instrumento – e está em aberto voltarmos a recorrer a ele. Ao vivo, salvo uma eventual ocasião especial, não tencionamos incluir na formação pois, como eu disse atrás, é um “condimento” do álbum, não um ingrediente principal.

Além do Dikk contaram com outras participações exteriores. Quais foram e como surgiram?

João – Para além do Dikk, contámos com outros convidados, com quem alguns de nós já se tinham cruzado profissionalmente. A Paula Teixeira possui o tipo de voz feminina que procurávamos aqui. Pessoalmente, estou saturado de vozes líricas no metal e o seu registo puramente rock com “sangue na guelra” resultou de uma forma que nos deixou completamente rendidos. O Tiago Flores, violinista dos Corvos, já tinha participado no “Harvest 2004” e mais uma vez prontificou-se a emprestar o seu talento aos Divine Lust.A guitarra portuguesa foi tocada pelo Ricardo Marques e ainda contámos com uma narração no tema “Duskful Of Bliss, Morningful Of Misery” levada a cabo pelo Mark Harding, membro dos Novembro.

Se é notório que este trabalho está a ter óptima aceitação em Portugal, como estão a acontecer as coisas além fronteiras? Que patamar pensam conseguir com este trabalho em termos de internacionalização da banda?

João – Internacionalmente, cabe à Deadsun Records promover e estabelecer a distribuição do álbum em França, Espanha, Alemanha, Benelux e Canadá. Estamos a ultimar parcerias para estender a promoção e a distribuição a praticamente toda a Europa. Depois, vamos olhar para o continente americano e, no fundo, estar atentos a todas as oportunidades para espalharmos a nossa música no maior número possível de territórios já que a nossa aposta é fundamentalmente no estrangeiro. Ainda estamos numa fase muito embrionária desta promoção da editora e eu sinceramente não sei o que vamos atingir com este trabalho, nem perco tempo a pensar em estimativas de vendas ou a imaginar tocar no sítio X ou Y. Compete-nos dar o máximo de nós para abrir essas portas e já sabemos à partida que nada nos deverá cair do céu.

O Doom Metal tem actualmente um considerável numero de representantes em Portugal no que a bandas diz respeito. Como interpretam este crescimento? Reflexo do que se passa no exterior? Que opinião têm sobre o Doom lusitano?

Filipe – Sinceramente não sei se houve assim um aumento substancial de bandas a explorar as sonoridades catalogadas como Doom Metal em Portugal. É certo que temos uns quantos projectos novos e alguns até interessantes. Contudo outros morreram com o passar dos anos, pelo que, entre o deve e o haver, não sei se o crescimento em volume foi assim tão acentuado. Seja como for, uma coisa é certa, não se vê propriamente um aumento de bandas e de consumo deste subgénero do Metal no resto do Mundo. Desde meados da década de noventa que este género não é muito “fashion” dentro do metal. E não creio que em Portugal as coisas sejam diferentes. Aliás, nós, por exemplo, temos algumas dificuldades em tocar em certos eventos, repletos de bandas de grind, death e black onde aí sim me parece haver um superavit de bandas no nosso país.

Ultimas considerações para os nossos visitantes….

João – Para quem não o fez ainda, adicionem o “Lusitania de Peso” aos vossos favoritos! Vou aproveitar o “tempo de antena” para convidar todos a ouvir os temas do novo álbum no nosso myspace a visitar o site oficial onde, para além da música, podem ler as reviews já publicadas sobre o álbum e, no fundo, tudo sobre os Divine Lust.

Abril 15, 2009

Rod of Ruin: 6 Gritos

por Paulo Trindade

Autores do Ep “Entangled EP”, os vimaranenses Rod of Ruin cederam à Lusitania de Peso algumas palavras.

Eis o que vai na mente da banda em actos…

1 – Quem são…

Os Rod Of Ruin são o unissono de 5 vontades com um propósito musical. Iniciamos funções em 2007, construindo um reportório para actuações ao vivo e lançamos 2 demos caseiras. A nossa identidade começou assim a ganhar contornos que culminaram no “Entangled EP”.

2 – Gravações no Soundvision

A experiência foi muito positiva, evoluímos em sentidos que nos pareciam não existir.

É bastante enriquecedor assistir à produção e ver a obra a nascer nas mais diversas perspectivas.

O resultado superou as nossas expectativas iniciais e sobretudo deu-nos a motivação que andávamos à procura.

3 – Feedback

Não menosprezando o feedback, o reconhecimento do trabalho em si tem o seu expoente máximo na opinião dos restantes elementos da banda, é isso que nos interessa para já. A análise é constante e estamos conscientes que há muito caminho pela frente até atingir a essência daquilo a que realmente nos propomos.

4 – Temas do Ep

Pursuiting me – Esta música fala dos tormentos que nos perseguem no dia-a-dia. A vontade de viver cada dia ao máximo derruba as barreiras do medo que nos limita.

Screams from the Void – Aborda a angústia existencial de um indivíduo que deambula pelos caminhos da vida.

Crossing the Line – Este tema fala-nos de liberdade, irreverência e transgressão das regras por escolha própria.

5 – Poucos concertos…

Existiam os mais variados tipos de imposições que resultaram numa abstinência de concertos ao vivo.
Contudo, a uniformização do reportório foi prioridade nas sessões de ensaio que continuam a ser assíduas.

Não obstante, temos neste momento três datas confirmadas.

6 – Guimarães…

Sempre conhecemos a nossa cidade com grande oferta musical, existem é mais meios de promoção/comunicação.

É sempre benéfico ter um espectro amplo e variado de sugestões, dos quais somos conterrâneos, aprendemos uns com a experiência dos outros pois convivemos diariamente no seio da música.