Archive for ‘Críticas’

Julho 11, 2009

Dawn of Tears – Dark Chamber Litanies

por Paulo Trindade

 

Ep / Edição de Autor / 2009


Dawn of Tears
não é um nome totalmente desconhecido aos assíduos leitores da Lusitania de Peso. O álbum “Descent” editado em 2007 foi alvo de analise pela LDP e a banda madrilena concedeu a este espaço uma entrevista. Além disto a  banda esteve recentemente em Portugal numa actuação em Mangualde.

Se “Descent” resultou numa das maiores surpresas vindas do underground europeu de 2007 o Ep agora editado é a confirmação do enorme potencial desta banda. “Dark Chamber Litanies” é a sucessão lógica de “Descent”, demonstra contudo uma banda mais madura quer tecnicamente quer a nível de composição.

Curiosamente o espaço entre os dois registos marca uma profunda alteração da banda já que do line-up original apenas se mantêm J. Alonso (voz) e J.L. Trebol (guitarra). Como novos elementos surgem Andrés Perez (guitarra), Konrad (baixo) e Israel Perez (bateria). Alteração esta que trouxe óbvios resultados positivos para a sonoridade da banda.

De referir também que além da formação base da banda participam neste trabalhos como convidados Beatriz Albert (voz feminina) e Carlos Alvarez e Isabel Garcia (ambos nas teclas).

O Ep gravado é composto por 5 portentosos temas de Death Metal melódico, intenso e atmosférico. São notórias as influencias da cena Death nórdica, onde nomes como Dark Tranquility, Children of Bodom e Sentenced (fase inicial) surgem como potenciais referências.

A audição de “Dark Chamber Litanies” (download gratuito disponível no site da banda) resulta num exercício agradável pelos arrepiantes riffs de guitarra, pela impressionante voz de Alonso (dotada de grande técnica, que lhe permite grandes performances quer nos guturais como em voz limpa), pelos refrões orelhudos e melodias penetrantes

Dawn of Tears são sem margem de duvidas uma grande banda em potência, que promete conquistar Vagos em Agosto próximo.

Anúncios
Julho 9, 2009

Neonírico – Renaissance

por Paulo Trindade
Ethereal Sound Works / 2009

A extinção dos The SymphOnyx e surgimento dos Neonírico poderá ter apanhado alguma gente de surpresa mas após audição de “Renaissance” essa alteração de denominação não passará de um pormenor.

De facto o que importa aqui é o testemunho de uma obra com a qualidade desta. Embora seja justo associar esta obra com os trabalhos do legado The SymphOnyx mas é notório o crescimento e o “alargar de horizontes” desta banda de Guimarães.

Em relação à sonoridade patenteada na era The SymphOnyx, “Renaissance” perde algum peso mas ganha em riqueza de arranjos. Se nos trabalhos anteriores da banda dos irmãos Torres a guitarra marcava maior presença em “Renaissance” ganha maior realce a faceta sinfónica da banda. Penso ser pertinente referir que musica dos Neonírico surge com uma maior intensidade e maior carga dramática do que se verificava sobre a antiga denominação.

“Renaissance” é um trabalho homogéneo e coerente, com alguns temas a merecerem justo realce: O brilhante “De suspirar em vão fatigado” baseado no poema de Bocage e o mágico e intenso “My Funeral”.

Aguarda-se com redobrada expectativa o evoluir desta banda. Contudo, por enquanto, comprem o álbum e deliciem-se com esta obra que extravasa qualquer adjectivação e conotação possível.

Junho 30, 2009

Anonymous Souls – Agony

por Paulo Trindade

Edição de Autor / 2009

Depois do excelente “Condolences” de 2005 que colocou os Anonymous Souls no patamar das bandas mais promissoras do meio nacional, foi com expectativa que surgiu o noticia de que a banda preparava a edição de um novo álbum, no ano anterior.
No entanto depois de o álbum estar prestes a ser distribuído a banda perde o seu vocalista, Dário “Moreno”. Com a entrada de Jorge a banda decidiu regravar todos os temas do álbum o que atrasou o processo de edição da obra.

Gravado nos próprios estúdios, denominados por DarkStúdios, surge este ano o álbum “Agony”. Este segundo trabalho segue a lógica de “Condolences” se bem que adopte uma sonoridade mais directa e crua.

Anonymous Souls continuam a debitar sonoridades próximas do Thrash/Death (com tímida aproximação ao Hardcore) agressivo, do género “a punch in your face”, bem intercalado por elementos melódicos.

Não obstante de se tratar de um bom disco de Metal, penso que seria legitimo esperar mais deste segundo longa duração, tendo em conta a expectativa gerada pelos trabalhos anteriores.

Para termirar diria em jeito de resumo que este é um trabalho que se recomenda, um trabalho criado por bons músicos, por uma banda que merece maior estabilidade de forma a potenciar as suas qualidades.

Abril 30, 2009

Cinemuerte – Aurora Core

por Paulo Trindade

Raging Planet / 2008

A dupla Sophia Vieira e João regressa em grande estilo dois após a edição do trabalho de estreia, “Born From Ashes”.

Contando com a participação dos convidados Pedro Cardoso (bateria, F.E.V.E.R) e Ricardo Amorim (guitarra, Moonspell), “Aurora Core” representa um passo em frente em relação ao anterior registo.

Em “Aurora Core”, a faceta mais eléctrica ganha maior relevo em relação à sonoridade mais electrónica apresentada na estreia. No entanto, a banda mantém-se fiel aos seus princípios e a sonoridade da banda a mesma identidade de sempre: de um rock directo, emotivo e vibrante.

Às características anteriormente já descritas, acrescente-se que “Aurora Core” é composta por 9 temas de música envolvente, pesada qb, negra e melancólica (com ligeira tendência gótica).

Ao todo são nove temas que atestam um trabalho que reclama homogeneidade, numa linha qualitativa sempre nivelada por cima, mas dos quais se pode destacar, o single “Air”, “Up for a Fight” e Slighty Mad”

Um pouco em jeito de rodapé destaque-se a participação de Fernando Ribeiro na composição lírica de “The Night of Everyday”  e a óptima qualidade do som apresentado ao qual não é alheio o trabalho de mistura e masterização de Waldemar Sorychta (produtor de trabalhos de Lacuna Coil, The Gathering, Moonspell, Tiamat e Samael, entre outros).

Num meio movediço em que o processo de afirmação de uma banda de um género musical alternativo é árduo os Cinemuerte demonstram qualidades suficientes para abraçarem o sucesso.

Abril 14, 2009

Scar for Life – Scar for Life

por Paulo Trindade

Edição de Autor / 2008

Emotivo, contagiante, arrebatador. Estas são algumas das formas como se pode caracterizar o som da obra homónima de Scar For Life.

Scar For Life é um projecto encetado por Alex S., um multi-instrumentista com passado ligado aos extintos Redstains. No ano transacto quando inicou o processo que levaria a este trabalho, Alex convidou Rezz como elemento definitvo. A estes dois juntaram-se Daniel Cardoso para a bateria (também ele produtor), Dinho (New Mecanica, também ele com passado ligado aos Redstains) e Sophie (Understream) para as vozes.

Deste combinado resulta um das grandes revelações nacionais dos últimos anos. “Scar for Life” é uma obra que bebe de influências bem contemporâneas, como a cena Sueca actual com In Flames, Opeth à cabeça, Contudo, o som de Scar for Life não se fica por aqui, sendo quase ingrato nomear neste espaço influências que extravasam os limites do Metal e Hard Rock. No entanto, não obstante de tão largas influências o som da banda é bastante consistente.

A musica de Scar For Life é feita de alternâncias: da melancolia ao ritmo, da melodia à agressividade, da voz limpa de Rez aos grunhidos de Dinho.

Ouvir “Scar For Life” é um deleite para os sentidos, pela diversidade de arranjos. Mas não será de todo desajustado destacar como pontos de maior relevância o excelente trabalho de guitarra de Alex, bem complementado pela voz emotiva de Rez.

Apesar de todos os temas serem de qualidade idêntica, atrevo-me a destacar “Kill The Past”, “The Bleeding Gun” e “One By One”.

Não podia terminar este texto sem salientar que este trabalho encontra-se disponível para download gratuito no site da banda.

Abril 14, 2009

Insaniae / Mourning Lenore

por Paulo Trindade

Split/CD – Edição de Autor / 2008

Para comemorar o seu terceiro aniversário o blog Daemonium decidiu editar um Split/CD que conta com os préstimos de duas banda nacionais. Por coincidência, ou talvez não, duas bandas de Doom Metal: Insaniae e Mourning Lenore. Ambas com dois tema cada.

A primeira banda já com alguma experiência, demonstra pelos temas apresentados natural evolução em relação a “Outros Temem os que Esperam Pelo Medo da Eternidade” de 2005.

Já a segunda banda, formada no ano passado revelou-se como um som surpreendentemente consistente para a juventude da banda.

Mas vamos por partes.

Insaniae:

O Covil
Tradição Ancestral

Insaniae mantêm-se fieis à sonoridade da obra de 2005, demonstrando maior maturidade especialmente a nível técnico com a guitarra a assumir particular relevância. De resto a receita mantem-se, som arrastado e melancólico com a voz fechada de Digo Messias a contrastar com a voz doce de Isabel Cristina.

Como aspecto negativo, que herda do trabalho de estreia, a pouca dinâmica da estrutura musical da banda, que induz a alguma monotonia.

Mourning Lenore:


Rain’s Seduction
Patterns of Emptiness

Excelente revelação. Sem ser original o som da banda demonstra maturidade e é dono de uma identidade que continuará a ser trabalhada.
 
Doom de cariz gótico, influenciado por nomes como Paradise Lost, Katatonia e My Dying Bride. Os temas de Mourning Lenore são produto de uma composição mais abrangente do que a apresentada pelos Insaniae. O som é soturno, com alternância de texturas: ora melancólico e ambientalista ora mais agreste e ritmado.

Não poderia terminar sem destacar o excelente trabalho captação levado a cabo por Fernando Matias nos Urban Insect Studios.

Abril 13, 2009

Falling Dusk – Vitta

por Paulo Trindade

Edição de Autor/2009

Depois de congelar o seu anterior projecto (Profusions), André Prista faz regressar os Falling Dusk ao activo.

Falling Dusk era um projecto de Power Metal, cuja demo “Creatures From Heaven” fez algum furor  no meio underground português em 2003.

Da formação original restam Frederico Trigueiros (bateria) e o principal foco criativo, André Prista (guitarra).

Contudo, a maior transformação nem se deu no line-up mas sim na sonoridade da banda, do Power Metal debitado pela formação original pouco resta. A banda envereda por uma sonoridade  Hard-Rock com tendência para o Pop/Rock, Heavy/Power e até mesmo Rock Progressivo.

“Vitta” é um trabalho conceptual, gravado nos NOIRstudios, produzido por André Prista e masterizado nos Brian Gardner Mastering Studios. A banda composta pelos dois elementos referidos e Fábio Conde (guitarras) contou com vários convidados, especialmente para a voz sendo Camilo Simôes o denominador comum.

O registo resulta num trabalho de qualidade, que contudo necessita de algumas audições. Não porque os temas sejam complexos, mas sim pela variedade de géneros abraçados, pelo que são necessárias algumas audições para compreender a obra no seu todo..

Como primeiro álbum, “Vitta” é um trabalho meritório. Aguarda-se que de futuro a banda solidifique a sua sonoridade.

Março 29, 2009

Thee Orakle – Metaphortime

por Paulo Trindade

Recital Records / 2009

Ambição, profissionalismo e uma grande evolução da banda em causa deram origem a um dos registos de peso do ano.

Thee Orakle demonstraram sempre serem uma banda em crescendo, mas “Metaphortime” significa um salto evolutivo enorme. Evolução essa em termos de composição, em termos técnicos e em termos de exigência e ambição. Pelas noticias que antecederam a edição do registo auspiciavam uma enorme atenção ao detalhe, na concepção, na produção e no trabalho visual. O resultado não poderia ser mais encorajador e reconfortante.

“Metaphortime” é um trabalho de qualidade superior, num patamar bem acima da qualidade média do que se faz neste pais em termos de Metal.

Combinando o peso e melodia do Death Metal melódico, com alguma melancolia típica do Gótico e Doom Metal a banda ainda incluiu alguns elementos de música étnica na sua sonoridade. “Metaphortime”  transporta uma sonoridade envolvente e contagiante. Som esse bem adornado pelos inebriantes solos de guitarra, pela doce voz de Micaela (que atingiu neste registo outro patamar como vocalista) contraposta pelos guturais de Pedro, não esquecendo uma secção rítmica em bom plano.

De um trabalho sempre ele com bitola elevada torna-se complicado destacar qualquer tema, mas arriscaria em nomear “All Way Down”, ”The Great Masterpiece” e “White Linen” como os temas que estarão alguns degraus acima dos restantes.

Thee Orakle atingiram um ponto, que se espera de não retorno. O de uma banda que se emancipou atingindo um nível que se espera que leve à sua internacionalização para não correr o risco de ser julgada, à imagem como injustamente tem acontecido com outras, como mais uma banda portuguesa.

Março 27, 2009

Ramp – Visions

por Paulo Trindade

MetroDiscos/2009

Seis anos separam “Visions” do último longa duração dos Ramp, “Nude”, sendo que pelo meio a banda lançou o Ep “Planet Earth”.

Depois do álbum de 2003 que não teve aceitação fácil por parte da comunidade metaleira, os Ramp foram vitimas de alguns contratempos que atrasaram a edição de um novo álbum. Seis anos que permitiram à banda reciclar e amadurecer ideias que deram origem a “Visions”.

“Visions” pode até não ser um trabalho consensual, especialmente para os fans da banda mais antigos e puristas, mas é sem duvida um trabalho digno de elogios:

– Pela demonstração de capacidade da banda de re-inventar a sua sonoridade;

– Pela qualidade superior da música que a banda debita;

Digo re-inventar, pelo facto a banda arriscar novos elementos à sua identidade musical patenteada durante a sua carreira a banda. “Visions” demonstra uns Ramp ambiciosos e atentos ao que gira à sua volta.

Além do Thrash-Metal patenteado pela banda nos seus registos anteriores a banda incorre em sonoridades industriais com elementos electrónicos a terem singular importância. No entanto pese a inclusão de elementos electrónicos o som da banda não perde agressividade, permite sim maiores soluções criativas.

Como resultado a sonoridade de “Visions” pode caracterizar-se por um Thrash contemporâneo a piscar o olho ao Screamo/Core e à musica industrial, como aqui já foi referido. As estruturas musicais são variadas, com riffs ora próximos das sonoridades Core, ora mais próximos da linhagem Thrash mais clássica. A secção ritmica surge em bom plano neste registo, mas seria ingrato não referir o grande trabalho de Rui Duarte, provavelmente o mais intenso até à data.

A finalizar arriscaria que “Visions” além de ser o mais ambicioso trabalho de Ramp, significa o regresso dos Ramp à sua melhor forma.

Temas em destaque: “Blind Enchantment”, “Mud”, “Single Lines.” e “The Cold”.

Março 12, 2009

Beyond Rapture – The Starting Point

por Paulo Trindade

Ediçao de Autor/2008

Beyond Rapture é um “One Man Project” encetado por Marco, um apaixonado pela música que desde muito novo se aventurou em programas de samples.

Beyond Rapture é por isso o resultado de um acumular de experências levadas a cabo por Marco. Ao Black Metal ortodoxo, Marco conbinou elementos electrónicos mais habituais na música industrial.

Por isso, será facil de adivinhar que “The Starting Point” não é um trabalho de facil audição, essencialmente para puristas.

O som deste Ep transmite uma agressividade caótica, quase visceral se bem que intercalado com momentos mais ambientais onde os elementos electrónicos assumem fulcral importância na textura músical apresentada.

A produção sendo ela caseira apresenta-se a um nivel sofrivel especialmente num trabalho que prima por pormenores.

Em suma, este Ep é um bom ponto de partida da carreira de Beyond Rapture pelo que se aguarda o evoluir deste interessante projecto.