Archive for ‘Críticas’

Junho 17, 2010

Miss Lava – Blues For The Dangerous Miles

por Paulo Trindade

Raging Planet / 2009

Depois da promessa que foi o Promo Ep de 2008 os Miss Lava confirmam o seu imenso potencial em “Blues For The Dangerous Miles”.

Stoner rock de ritmos frenéticos, com peso e melodias bem medidos são a receita de sucesso desta banda lisboeta. Editado via Raging Planet nos finais de 2009, “Blues For The Dangerous Miles” é um dos dos discos mais “refrescantes” e surpreendentes dos últimos anos.

Toda a música de Miss Lava é energia. Como resultado de um rock revivalista e psicadélico influenciado pelo sons da década de 70, de onde se destaca o rock sulista, o punk e até mesmo doom metal à boa maneira de Black Sabath, a banda consegue uma obra da qual merece se orgulhar.

Uma banda que promete animar o público presente na próxima edição de Vagos Open Air em Agosto

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Junho 14, 2010

Scream of the Soul – Pathfinder

por Paulo Trindade
Edição de Autor / 2010 / EP

Os Scream of the Soul, formados em 2007, são um caso com tanto de incomum como de curioso do underground português. A banda oriunda das redondezas de Famalicão acaba por surpreender por praticar um género muito pouco comum no meio nacional, o Hard-Rock com influências de Uriah Heep, Led Zeppelin, Black Sabath entre outras bandas do rock pesado das decadas de 70 e 80. O curioso é que estamos perante uma banda composta por 5 elementos com idades compreendidas entre os 16 e 19 anos.

A banda editou recentemente um Ep de apresentação composto por 4 temas com uma qualidade que convence. Apresentando um Hard Rock à velha escola, com notória ascendência “zeppelliana” a musica da banda surpreende pela consistência. Os temas são de audição fácil mas estão longe de ser básicos, a banda apresenta uma riqueza a nivel de composição bem satisfatória.

A música dos Scream of the Soul não prima pela originalidade mas não parece ser esse o maior motivo que levou os elementos da banda à sua formação. Aguarda-se o evoluir do percurso da banda.

Os Scream of the Soul são:

Cristiano Silva (guitarra/voz)
Ana Silva (voz)
André Silva (baixo)
Rudi Silva (teclas)
Alexandre Vale (bateria)

Maio 3, 2010

Painted Black – Cold Confort

por Paulo Trindade
Ethereal Sound Works / 2010

Formados em 2001 e com dois registos no seu percurso, os Demo/Ep’s “The Neverlight” (2005) e “Verbo” (2007), os Painted Black têm sido uma banda sempre em crescendo. Não terá sido por isso alheio o facto de a banda ser considerada pelos leitores da revista Loud, por três anos consecutivos, a melhor banda portuguesa sem contrato. Sintoma da crescente empatia granjeada no meio underground nacional.

Depois das edições de autor mencionadas, foi com naturalidade que surgiu a opção da banda em gravar o que seria o primeiro álbum. A captação de sons ocorreu nos UltraSound Studios sobre o comando de Pedro Mendes e Daniel Cardoso. Surgindo mais tarde o acordo com a editora nacional Ethereal Sound Works.

Consoante surgiam as novidades sobre o álbum cresciam as expectativas em seu redor. E após a audição do novel trabalho é justo afirmar que essas expectativas não foram minimamente defraudadas. Bem pelo contrário.

“Cold Confort” não só é um brilhante trabalho de metal contemporâneo, como significa também nova afirmação da capacidade de auto-superação desta banda.

Conjugando de uma forma sublime melancolia com peso, os temas de “Cold Confort” prendem o ouvinte do primeiro ao ultimo instante. Mas não é só desta mescla de fragilidade e agressividade que “vive”  o álbum. Vale também pelos pormenores técnicos (aspecto em que a banda cresceu bastante), pelos requintados arranjos, pela versatilidade da voz Daniel e outros aspectos que merecem ser descobertos.

Outra faceta que merece ser realçada é a linear qualidade dos temas apresentados, embora se possa arriscar a destacar “Via Dolorosa”, “The End Of Tides”, “Cold Confort”, “The Rain In June” e “Inevitability”.

Não poderia terminar esta crónica sem arriscar em considerar “Cold Confort” como um dos melhores registos não só do presente ano, como também da história recente do metal português.

Fevereiro 11, 2010

Secrecy – Of Love and Sin

por Paulo Trindade
Ethereal Sound Works / 2009

Aquilo que o single”Shadows Call” fazia prever, “Of Love and Sin” veio confirmar. Os Secrecy apresentam-se como uma banda que tem sabido evoluir sem nunca deixar de se manter fiel às suas origens.

“Of Love and Sin” demonstra uma sonoridade polida, notoriamente amadurecida em relação aos registos apresentados anteriormente pela banda, o trabalho de estreia “Beneath The Lies” e o Ep “Sweet Dark Love”.

Apesar da diversidade de ambiências que vão da faceta mais electrónica à mais pesada é notória e meritória a ideia  de coerência musical que a obra transmite, como se um fio condutor percorre-se toda a obra.

Á melodia contagiante que esta banda nos habitou aliam-se algumas tonalidades mais agrestes pouco habituais.

Este é também um álbum em que as guitarras têm um grande relevo,  deixando para segundo plano os outros instrumentos.

De realçar também o jogo de vozes (Miguel Ribeiro, Nuno Lima e Lisa Amaral) que o single já antevia mas que no álbum é bem melhor explorado.

Apesar de todos os temas serem agradáveis e bem radiofónicos, o excelente “The One That Death Deserves To Find” deve ser alvo de merecido destaque.

Dezembro 30, 2009

ManInFeast – How One Becomes What One Is

por Paulo Trindade

Edição de Autor – 2009

O underground nacional tem demonstrado nos ultimos anos um crescendo de qualidade, crescendo esse de qualidade que raramente é acompanhado em originalidade. Parece-me que um dos pontos menos positivos que se podem apontar à musica de peso em Portugal é a parca originalidade. Não será desajustado afirmar que a maior parte das nossas bandas pouco mais arrisca do que “repisar formulas” muito em voga no exterior, resultando que essas bandas pouco mais são do que o “espelho” das suas influências mais directas.

Existe contudo algumas bandas que apesar de beberem às suas influências conseguem acrescentar algo mais a isso, uma dessas bandas são os ManInFeast.

Oriundos de Lamego, a banda surge na fase final de 2009 como uma bela revelação. Metal progressivo a piscar o olho ao Metal Industrial apresentado em formato Ep composto por 5 temas.

Ponto curioso é o facto de que do ponto de vista lirico a obra busca inspirações tão dispares como Friedrich Nietzsche, Sir John Maynard e Madame Blavatsky, conteudo lirico esse que é estruturado em 3 momentos: Introspecção, revelação e assimilação.

Gravado nos Blind & Lost Studios e contando com a boa captação de Gulhermino Martins (Thanatoschizo), “How One Becomes What One Is” resulta numa estreia auspiciosa da jovem banda. Som arrojado de cadência melódica e ambiental culminando a espaços com momentos de maior agressividade, merecendo destaque também a alternância entre sonoridade eléctrica (mais predominante, com destaque para riffs muito bem conseguidos) e electrónica.

ManInFeast surge nesta recta final do ano como uma banda emergente do underground que merece ser seguida com atenção, afinal de contas “How One Becomes What One Is” acaba não só por ser uma boa surpresa como vem provavelmente atribuir à banda uma responsabilidade acrescida.

Dezembro 2, 2009

Pitch Black – Hate Division

por Paulo Trindade

Recital Records / 2009

Cerca de quatro anos de hiato contribuíram para uma crescente expectativa em redor de um novo lançamento dos thrashers Pitch Black. Hiato esse em muito provocado pela dificuldade da banda em encontrar um vocalista que que se enquadrasse nos parâmetros desejados pela banda.

Para surpresa o vocalista anunciado foi Hugo Andrade (Switchtense), um vocalista de uma linha mais próxima da nova vaga Thrash/Core, com uma vocalização mais rasgada algo bem diferente da sonoridade da banda que como se sabe enquadra-se mais no som de Bay Area dos anos 80. Pelo facto antevia-se como um dos motivos de maior curiosidade para este disco o enquadramento de Hugo no som dos Pitch Black, se bem que  os concertos que precederam o álbum sugeriam o que estava para vir (de referir que pouco tempo após a edição do álbum Hugo seria substituído por Tiago Albernaz).

A primeira nota positiva a reter é a excelente produção de Rui Danin que conseguiu captar a “raiva” própria da sonoridade de Pitch Black. O disco é um portento de agressividade. Até porque em termos de musicais a banda não foge muito do som que é seu apanágio, Thrash Metal bem “rasgadinho” com fortes influências de Slayer, Exodus, Testament e Kreator (especialmente as duas primeiras).

A voz de Hugo ajuda de certa forma a emprestar maior agressividade, pese alguma falta de versatilidade na sua voz (para o género praticado pela banda) que contribuiria para um trabalho mais rico. Aliás essa lacuna torna-se visível conforme decorrem os minutos na escuta do álbum, dando a sensação de alguma monotonia.

Por outro lado, pode-se afirmar que “Hate Division” pouco de novo trás, a música da banda bebe muito das suas influências e pouco mais além disso. Mas inovar não será certamente o que os Pitch Black procuram…

Em resumo podemos dizer que se trata de um álbum razoável, aconselhável para seguidores fieis do género.

Novembro 24, 2009

Secrecy – Shadows Call

por Paulo Trindade

CD Single / Ethereal Sound Workds / 2009

Antecipando a edição do álbum “Of Love and Sin” os portuenses Secrecy lançaram via Ethereal Sound Works o single “Shadows Call”, uma interessante proposta musical de uma banda que nos habituou a trabalhos de qualidade.

Num primeiro contacto com a obra ganha relevância o belo trabalho gráfico com um artwork sóbrio.

Passando à música, dois temas, o tema titulo em duas versões (radio e álbum) e “Sands of Despair”. O primeiro tema mais electrico e outro mais elecrónico. Como ponto prévio na analise ao som apresentado é que este single faz crescer as expectativas para o álbum.

O som dos Secrecy não sofrendo grandes transformações é ligeiramente retocado. Uma evolução na continuidade, diria. Movendo-se numa sonoridade rica que vai do rock ao metal, não esquecendo as variações electrónicas como o Darkwave, pelo que a margem de criatividade para uma banda como Secrecy seja ampla e pela amostra a banda sabe bem que terrenos pisa.

Outro pormenor bem conseguido é o jogo de vozes em “Shadows Call”, uma voz mais melódica e outra voz mais rasgada, a ver (leia-se ouvir) se no álbum a banda explora esta faceta.

Em suma, “Shadows Call” é um bom “aperitivo” para o álbum que se aguarda, de uma banda que mais uma vez demonstrou ser capaz de nos presentear com boa musica e que nos parece ainda mais versátil do que no passado.

Novembro 12, 2009

Grimlord + Dolce Vita Sath-an as

por Paulo Trindade

Edição de Autor / 2009

Grimlord é uma banda polaca cujas origens remontam para 1999 e a Vallachia, banda com uma sonoridade próxima do Black Metal.

No entanto com a formação do novo projecto a sonoridade sofreu grandes alterações, situando-se muito próxima da linha tradicional do Heavy Metal com fortíssimas influências de Iron Maiden com algumas pitadas de Power Metal. Do Black Metal pouco resta a não ser pequenos detalhes, como por exemplo em “When The Heads Are Going Down” que começa com riffs de guitarra tipicamente Maiden alternando depois com ritmos acelerados típicos do Black Metal.

O álbum (que nos foi cedido gentilmente pela banda) é composto por 9 temas, dos apenas os três primeiros têm voz, de agradável escuta. A música da banda é contagiante, descontraída, com guitarradas próprias da antiga escola. Merece realce também o trabalho a nível de teclado, pois embora sem tornar demasiado visível contribui para uma boa ambiência sonora.

Fortemente aconselhado.

Novembro 9, 2009

Men Eater – Vendaval

por Paulo Trindade

RagingPlanet / 2009

Depois de surpreenderem o meio underground nacional com “Hellstone” era com expectativas elevadas que se aguardava pelo seu sucessor. 

Atendendo essas expectativas “Vendaval” parece-me uma aposta arriscada da banda, pois o novo trabalho está aquém de ser uma sequência lógica do álbum de estreia 2007.

Enquanto “Men Heater” era um trabalho mais experimentalista, mais ligado a pormenores e ao mesmo tempo com uma sonoridade mais “suja” ou por outras palavras mais próxima do Sluge e Stoner Rock do que “Vendaval”. A música do novo disco é mais directa, mais espontânea e porque não dizer, mais límpida.

Por outro lado em “Vendaval” são menos visiveis as influências da banda do que no seu antecessor. Parece-nos esta uma decisão aceitável da banda ao arriscar por procurar amadurecer numa identidade própria. Aqui, sensação que fica é que a banda ainda tem um percurso a trilhar. Embora embora atinja já uma qualidade satisfatória a sonoridade da banda dá uma ligeira sensação de monotonia aquando da audição do álbum, ao que não será estranho a ausência de temas fortes e arrebatadores como acontecia no álbum anterior (“Revolver”e “Lisboa” são dois excelentes exemplos).

Como ideia chave, pode-se dizer que “Vendaval” é um trabalho bem razoável embora deixe a sensação de alguma desilusão tendo em conta as expectativas geradas justificadamente por “Hellstone”.

Novembro 9, 2009

Darkside of Innocence – Infernum Liberus EST

por Paulo Trindade
Edição de Autor / 2009

Fruto de um trabalho de cerca de 4 anos, “Infernum Liberus EST” funciona como um belo cartão de apresentação dos Darkside of Innocence. Não será desajustado afirmar que este álbum de estreia potencia a jovem banda lisboeta como uma das revelações do ano.

Embora aborde uma temática habitual dentro do género praticado a banda consegue-o fazer de uma forma exemplar, através de uma historia dividida em cinco actos em que tomando como pano de fundo a luta entre o bem e o mal, centra-se no percurso de 2 personagens: Laila e Aneon. A primeira um anjo que tenta proteger o planeta Vália do segundo personagem, um demónio que teima em assombrar o dito planeta.

São ao todo 12 temas (incluindo uma introdução) de Black Metal de tendências góticas em que Cradle of Filth surgem como natural referência. E é precisamente neste aspecto em que a banda terá de melhorar, pois essas influências são demasiado visíveis, pelo que é justo esperar que a banda no seu percurso venha a fortalecer uma identidade mais vincada do que a apresentada nesta obra. No entanto, não obstante este reparo, não é nossa intenção por em causa a qualidade de uma obra quando ela se apresenta a um nivel acima da média.

A textura musical apresentada consiste no binómio melodia/agressividade, no jogo de vozes feminino e masculino, com especial realce para a o belo trabalho de voz de Pedro Remiz.

Não poderia terminar esta crónica sem realçar “In Nomine Dementia”, tema escrito em português. Além do excelente poema que está na base do tema, merece também destaque a sublime carga dramática apresentada. Um dos momentos do ano no que ao metal lusitano diz respeito.

Álbum disponível para download gratuito.