Archive for ‘1ª Pessoa’

Março 26, 2009

Waterland

por Paulo Trindade

Waterland. cujo trabalho de estreia foi objecto de analise e entrevista na LDP. No entanto convidamos o seu mentor Miguel Gomes para nos contar a história que serve de base a este trabalho:

Planeta C64-A.tipo2  na orbita da estrela Beta Pictoris a 62 anos luz do sol, condições habitável 60% do planeta é metano liquido, 20% mar agua (5 vezes mais densa que na terra) 20% de vales rios florestas e gelo. Devidas as circunstâncias do planeta e algumas características de junção de gazes e componentes químicos concentrados numa das zonas do planeta. Nesse local encontra se uma cidade cuja sua característica é excepcional por se encontrar toda a cidade submersa, e proporcionar a todos os seus habitantes a imortalidade. Essa terra é Waterland…A chave para a imortalidade é o facto de a água renovar as células a cada 50 horas, tal poder suscita demasiada cobiça por outros povos que pretendem ocupar a cidade para ter a desejada vida eterna.

Destiny: Fala da forma como a paixão e o ódio podem se cruzar. A vida eterna é cobiçada por todos, e todos os povos sonham chegar a  .

Paradise: fala do momento que tudo era brilhante numa cidade onde tudo era perfeito. E de repente tudo cai num fechar de olhos. Instala se a guerra e a luta pelo poder da cidade.

Shinning World: A importância e a significância valorativa que nos damos a nossa vida). Somos tão pequenos e insignificantes mas ao mesmo tempo com uma felicidade enorme em sermos abençoados com a vida. A esperança de haver contacto entre povos de outros planetas leva as pessoas a sonhar e em Waterland sonham com a esperança de encontrarem uma civilização.

The Sign Of Mankind: a 62 anos de luz daquele planeta encontra-se a Terra. Com o desenvolvimento da tecnologia foram capazes de receber um sinal emitido da terra. Descobriram que não estão sós no Universo e que nós somos os vizinhos mais próximos deles. Ainda sem qualquer forma de reencaminhar o sinal vêem nos Humanos a esperança da paz em Waterland.

The Kingdom: Quando o povo de Waterland se confronta com a invasão de outros povos, defendendo a cidade a todo custo.

My Dark Light: O sofrimento instala se em todo lado. A morte a tristeza e a perda da cidade em lutas constantes pelo poder. Famílias se separaram, amores perdidos, sentimentos desfeitos e uma esperança que é guardada ate ao último dia de vida.

The Key: Depois de perderem Waterland a civilização que lá habitava (InKs) foram expulsos da cidade e os seus novos habitantes não conseguiam ter as suas células renovadas, Tudo isto porque a chave para a vida eterna não se encontrava só na água mas também no sentimento das pessoas. Quanto mais Maquiavel forem menos efeitos a agua causava neles.  A chave da imortalidade era uma junção de bondade com a componente revitalizante da água. 

The Man Who Wants To Be Free: Robin o filho do Supremo de Waterland abandona o sonho de ter uma vida eternal e segue os sentimentos. Prefere ter Carry (por quem se apaixonou) com ele do que a imortalidade em Waterland. Perdendo a vontade de reconquistar a cidade Até ao momento da revolta pela morte de seus pais.

Tell Me: Os habitante (InkS)liderados por Robin reúnem forças e juntam se para reconquistar Waterland. Contam com a ajuda de um mago que lhes mostra como derrotar os (SunoS: habitantes que se apoderaram da cidade).

In Nomine: Toda a magia e força e dogmatismo misturados num só sentimento. A reconquista de Waterland.
The King Of Fantasy: Após reconquistar a cidade Robin torna-se Supremo de Waterland juntamente com a princesa Carry. A felicidade e a alegria voltaram a cidade imortal.

Memories: Todas as memoriais vividas em Waterland. O bom e o mau se cruzam num sentimento misto.
Waterland: Cidade imortal (por vezes as pessoas só dão valor ao que tem quando o perdem).

The Guardains Of Night: Um fim trágico, morte de Carry e a angústia de Robin. Com tanta tragédia o seu espírito torna-se vingativo e cruel. O que retira os poderes á cidade deixando de ser a terra imortal.  Abandona assim Waterland em busca de luta ódio e morte.
History: A história continua….

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Outubro 9, 2007

“These Days” por Pedro

por Paulo Trindade

 

Continuando o ciclo de auto-analise dos trabalhos das bandas nacionais convidamos desta feita Pedro, guitarrista dos Double Damage para nos expor o seu prisma pessoal sobre o primeiro Demo-Cd da banda. Eis o seu testemunho:

Demo – “THESE DAYS”

A Demo These Days foi pensada no início do ano 2007. A ideia era, antes de mais, começar a compor para “ver o que saía”. Era óbvio que as influências, de certa forma, sempre orientariam o género pretendido. Para chegarmos às músicas que constam nesta Demo, vários temas foram compostos até ficarmos agradados com o resultado, sendo que, agora, estamos bem próximos do que realmente quereríamos e gostaríamos de ouvir.

These Days

Este foi o primeiro tema composto e, curiosamente, não foi depois deste que os outros se seguiram. Olhando para trás parece que encontramos, sem querer, o caminho para fazer valer o potencial existente, talvez porque o tema tenha sido composto de forma tão instintiva. Em todo o caso, é disso mesmo que a música fala – sobre sensações. O tema diz respeito a um choque emocional quando confrontados com o “estado do mundo” que com certeza tem coisas boas mas desta vez fizemos referência ao que ele pode ter de pior. Ainda que a música não especifique, pois tratam-se de sensações, quem ouve pode sempre imaginar e enquadrar na sua realidade com a ajuda de uma sonoridade forte, pesada e escura que o tema transmite.

No Control

Depois de várias tentativas, inclusivamente no campo da escrita, finalmente encontramos o nosso caminho. As letras, até certo ponto, sempre foram um problema. Queríamos dizer “coisas” mas não estávamos a conseguir dizê-las quando associadas à música. Sempre quisemos que a música ajudasse a contar a história da letra e desta vez acertamos. No Control é uma reflexão sobre a relação do Homem com a vida, focando a dimensão dos comportamentos, reacções, face aos acontecimentos que lhe são marcantes. Devido à letra, a intenção, a nível harmónico, é oferecer um ambiente que desse uma sensação de instabilidade ou insegurança e que de certa forma espelhasse algo que não pode ser controlado. Para isso brincámos um pouco com o nosso velho e conhecido sistema tonal, misturando, em algumas partes do tema, tonalidade com politonalidade para colorir o facto de que a qualquer momento algo pode acontecer fora do previsto.

Shattered

Esta música, vem no desenvolvimento do tema anterior, sendo que este tem a ver com a relação do individuo com ele mesmo quando confrontado com o exterior no sentido de não nos deixarmos adormecer e acomodarmo-nos ao que já existe – a preguiça, ao mesmo tempo que fala do potencial que todos temos para mudarmos o rumo da nossa vida. O titulo da música informa sobre um sentimento com o qual teremos de lidar se não fizermos, se não tentarmos, ainda que por medo criado ou incutido e, assim sendo, tem um carácter de sobreaviso quanto à teia de acontecimentos (representada na música através das partes cromáticas) que se desenrolam ao manter esta atitude perante as coisas e a vida. Desta vez a componente expressiva (relação letra e música) ficou encarregue à voz que se “arrasta” ao longo do tema para dar a sensação de preguiça.

Chaos (is freedom)

Chaos acaba por ser uma síntese das músicas anteriores e conta-nos sobre a relação do Homem com o meio. A música não tem um carácter tão imprevisível quanto No Control no entanto o tema dá a sensação de “nunca descansar”, ilustrada pelo solo, principalmente. O tema prende-se com a noção de realidade que cada um de nós tem, fazendo também alusão à quantidade informação que nos circunda e que se intercruza dando origem a um ciclo de causas e efeitos que são fruto das nossas acções no meio e sobre o meio. Neste tema estão presentes conceitos associados às temáticas oriundas da Teoria do Caos, Teorias Compatibilistas e Determinismo. Sobre o título…” the future is sealed in inconstant truth but freedom is mine while Laplace doesn’t prove right”

A Demo These Days tem um carácter instrospectivo, centrado no individuo, na forma como este interage com o meio que o circunda, algo que nós tentamos expressar através da música e das letras, com refrões fortes, riffs marcantes e a força do rock…

Outubro 2, 2007

“Life or Debt” por Miguel Borrego

por Antonio Lopes

 

Antes de mais, “Life Or Debt” é fruto de cerca de 1 ano de composição, período
em que, inevitavelmente, os FORGODSFAKE passaram por momentos de pouca,
alguma e muita inspiração. O álbum é uma junção de todos esses momentos, e não é mais do que uma convicta exposição de ideias simples, mas coesas, tanto a nível lírico, como a nível musical e visual. As temáticas rondam temas da vida real, pontos de vista, situações que todos nós acabamos por enfrentar, força de viver, revoltas, etc.
Tentamos causar impacto através da simplicidade das músicas, que em conjunto com o peso do metal e a melodia, pensamos não deixar os outros indiferentes, seja por reacções positivas ou negativas. O que interessa é que a informação já lá chegou.
Afinal (e de certo modo, felizmente), não podemos agradar a todos.

Setembro 27, 2007

“Leak” por Filipe Correia

por Antonio Lopes

 

Após Luis Fazendeiro, guitarrista e um dos mentores de Painted Black, temos aqui Filipe Correia vocalista e guitarrista dos Concealment:

““Leak” é o primeiro lançamento longa duração dos Concealment.
É-me difícil descrever esta obra, o que posso dizer sobre este disco é que, para além de me ser muito íntimo, é de certa forma bastante perturbador para os ouvintes que não estão habituados a formas de composição mais intricadas e menos melódicas.
É um disco muito austero preenchido pela a frieza da vida contemporânea, um retrato triste e consequente de uma vida fútil e atrofiada pela rotina diária.
Este é o conceito de um trabalho que nos foi literalmente arrancado do fundo dos nossos corações.
Não tenham medo e ouçam.”

Março 31, 2007

“Verbo” por Luis Fazendeiro

por Paulo Trindade

1ª Pessoa é um espaço feito por músicos, onde falam dos seus trabalhos e projectos.

Começamos com Luis Fazendeiro, guitarrista e um dos mentores de Painted Black:

O “Verbo” como EP foi pensado no final de 2005, depois das gravações da nossa primeira maqueta “The Neverlight” e após um período intenso de ensaios. O que tem de bom a ausência de muitos concertos é que podemos dedicar tempo para trabalhar temas novos e planear tudo com a devida atenção. Decidimos nessa altura que no próximo Verão voltaríamos a entrar em estúdio e recordo-me que o tema Expire ainda não tinha respirado o ar da sala de ensaios. O estúdio escolhido seria mais uma vez o estúdio “I Som” em Alcains, a sensivelmente 25 minutos de distância da bela vila de Tortosendo.

De todos os temas de “Verbo”, “The Sin Path” é o mais antigo e remonta a 2001, o ano de formação da banda. O tema foi composto à volta do interlúdio acústico que surge sensivelmente a meio da música, e que é das minhas partes preferidas. O solo que se pode ouvir por cima é cortesia do Miguel e foi um arranjo trabalhado já em 2006. Lembro-me que na altura em que “me saiu” esse “dedilhado”, como eu costumo chamar, o meu sentimento era de saudade, mas ironicamente, de algo que nunca tive. Como se sentisse falta daquilo que desejava há muito, e que sabia que me iria completar. O Daniel adaptou um dos seus poemas à música, e o desejo saudosista que a música me transmite, transformou-se num desejo carnal pelas palavras dele… “if the sin makes us fall, will you sin with me?”…

Do mais antigo para o mais recente vem “Expire”. Simples e intimista são palavras que descrevem bem este tema, os críticos esses talvez prefiram “atmosférico”, que também não está longe da sua essência. “Vejo” os sons por aquilo que sinto ou pretendo transmitir emocionalmente, e não puramente como algo estético ou bonito, e esta música nasceu numa das minhas muitas noites serenas e frágeis, em casa, sentado na minha cama. Quando muitos artistas falam que quando compõe “deixam as músicas respirar” e que são elas que ditam cada segundo, actualmente consigo ver algum sentido nessas palavras. Entre a luta do racional e do coração, por vezes é preciso expirar e limpar a mente de pensamentos e deixar tudo fluir, e neste caso a música realmente ditou o seu destino. Como diz a letra: “destiny not written, but certain”…

”NightShift” foi um tema que nasceu de alguma reflexão, e estudo… A minha aprendizagem na música sempre foi feita de maneira ingénua mas ávida. Durante algum tempo não conseguia ouvir uma música sem a dissecar em forma e estrutura. Quantas vezes se repetiam o refrão, o verso, outros, intros, pontes, partes diferentes, ritmos, tudo assimilado no meu limitado vocabulário musical. Uma dessas foi a palavra “crescendo”. E o que é um crescendo? Para mim, algo que parte de uma base mais minimalista mas que se desenvolve para algo mais intenso, rico ou cheio. Como um nascer do Sol, colocando as coisas de uma forma figurativa. No meu caso, aquilo que me impulsionou foi precisamente o contrário! Tendo a forma, só faltava o conteúdo, e para isso apenas tive que esperar até que a música decidisse sair… O início agressivo contrasta com o final calmo e emocional e o Daniel associou à música um tema que também me é familiar. O refúgio na noite e no dormir, para apaziguar ou esquecer os tormentos. Com certeza algo mais saudável que o álcool e outras substâncias ilegais… “nightshift comes to soothe the pain”.

A música que abre o EP, “The Desolate Pleading”, foi mais um tema que surgiu do acústico, mais especificamente do dedilhado que aparece a meio. Foi dos temas que demorou mais a completar, e que foi crescendo em duração de forma natural, acabando por ultrapassar a marca dos 8 minutos. É um dos meus temas favoritos por toda a dinâmica e diversidade de momentos, desde os mais intimistas até aos mais agressivos, que o tornam num dos mais intensos. A nível pessoal, esta música representa para mim a procura da esperança… “…Take my hand and pull me away from my own disgrace…”.

“Verbo” acaba com “Your Heart In Ashes”, o nosso tema mais pesado. Lembro-me que saiu todo por instinto, numa altura em que estava com problemas pessoais, e serviu como um grito de libertação contra tudo de negativo que tinha acumulado. Para mim foi uma forma de lutar e um testemunho de força contra as adversidades que o dia a dia traz. A letra do Daniel encaixou como uma luva, como se costuma dizer, e os sentimentos que a música continha foram complementados perfeitamente pelas palavras e voz, e todo o trabalho desenvolvido com o Rui (baterista), deram à música, a força rítmica que necessitava… “No escape, I’m part of you. I’ll destroy you from within. I’m the dark, the end of hope. The final scream deep within.”

“Verbo” é a nossa palavra e música, o nosso testemunho egoísta dos nossos sentimentos, experiências, saudades, tristezas e esperanças, que decidimos mostrar a todos os que estejam abertos para o ouvir e, de uma maneira mais pretensiosa, de o sentir.

Escrevi este texto, devido ao simpático convite de Paulo Trindade e para todos os que possam achá-lo útil, curioso ou simplesmente informativo… a todos os outros, sempre podem virar a página e ignorá-lo. Já dizia a minha mãe: “não gostas, não comes!”