Anifernyen: Entrevista

2008 Junho 15
by Paulo Trindade

Os Anifernyen (cuja origem remonta a 2003) editaram recentemente o seu primeiro registo, o Ep “The Pledge of Chaos”. Motivo que serviu como ponto de partida para uma pequena conversa com a banda,que a seguir transcrevemos:

Os Anifernyen iniciaram o seu percurso em 2003. Como tem sido esse percurso desde então até hoje?

Luís Ferreira – Em cinco anos acontecem, como é óbvio, muitas coisas. Algumas delas irão certamente ser comentadas no decorrer desta entrevista e enquadram-se no nosso quadro biográfico. À parte disso é da minha opinião pessoal que a banda tem crescido bastante, a nível técnico, com o decorrer do tempo. Quando começamos éramos todos muito “verdinhos”! Acho que paralelamente ao desenvolver da banda houve um crescimento individual de cada membro e acredito que a partir de agora as coisas vão andar mais rapidamente e cada vez mais com mais qualidade.

Anifernyen é um nome “sui generis”. Qual o seu significado e de onde foram buscar inspiração para esse nome?

Luís Ferreira – Anifernyen é um nome retirado de textos bretões que se referiam ao inferno como “An Ifern Yen”. A tradução para uma linguagem actual seria “Um Inferno Gelado”. O nome surgiu com o Daniel Lucas (Painted Black) durante o período em que estudávamos juntos em Castelo Branco. O conceito é na minha opinião brilhante e apesar de tudo enquadra-se muito connosco na medida em que realça uma oposição extrema entre dois conceitos que são fascinantes. O fogo e o gelo como símbolos do inferno não só jogam contrariamente aos conceitos e ideologias padrão, como são usados metaforicamente nas letras e, ao mesmo tempo, têm algo para dizer sobre as nossas personalidades.

Qual é a justificação ou quais são as razões para só editarem um trabalho vosso quase 5 anos após a vossa formação?

Luís Ferreira – Os concertos começaram por surgir em 2005 e esperava-se, por esta altura, uma progressão dos trabalhos e uma futura gravação do primeiro trabalho da banda. Os planos atrasaram-se quando o teclista, Veloso, no mesmo Verão, decidiu sair por razões que nos transcenderam. Após algumas experiências, as tentativas de arranjar um substituto foram goradas. Tendo em conta que a estrutura das músicas estava, até então, muito apoiada nas melodias elaboradas do teclado, a banda decidiu manter apenas dois temas e avançar para um período de “hibernação” de modo a que fosse possível produzir um trabalho que melhor se identificasse com esta nova estrutura. Foi no Outono de 2007 que, após muito ponderar, se decidiu gravar o primeiro registo e partir para os concertos novamente.

Nos vossos sítios online identificam o vosso som como sendo Black-Metal melódico. Isso não será uma definição um pouco redutora? Como descrevem o vosso som a quem não ouviu Anifernyen?

Zé Diogo – Isso já vem desde o tempo em que tínhamos teclado. Agora esta definição é capaz de ser redutora, mas qualquer etiqueta que coloquemos será redutora porque não nos cingimos a um único estilo, apenas tocamos Metal. Mas isso é muito vago…soamos a Anifernyen. Acho que quem tiver curiosidade deve ouvir, e cada pessoa interpreta o nosso som da sua forma…se lhe chamam Black-Metal melódico ou outra coisa fica ao critério de cada um.

No vosso som apesar de ter como principal referência o Black Metal, notam-se uma considerável variedade de influências musicais. Quais são essas influências?

Zé Diogo – Ouvimos muita coisa, é natural que nos influenciem bandas de metal, mas também música clássica, bandas sonoras…

Luís Ferreira – Há uma preocupação para não fazermos tudo demasiado idêntico. Procurámos fazer temas diferentes que abordem géneros diferentes e os interliguem com aquele com que nos identificamos mais, o black metal. Costumamos brincar com isso. Como ouvimos muita coisa acontece por vezes a integração de elementos de outros estilos como o thrash metal, o death metal, o heavy metal tradicional, progressivo, clássica, etc. Ainda há-de sair a nossa música doom! O mais importante é fazer algo de que gostamos.

“The Pledge of Chaos” foi gravado nos Ultra Sound Studios, ultimamente muito requisitados. Qual a razão que vos levou e optarem por estes estúdios.

Zé Diogo – Achamos que deve ser o melhor estúdio em Portugal para gravar este tipo de som, principalmente porque além das condições tem produtores de qualidade. Ouvimos gravações lá feitas, e facilmente ficamos convencidos de que seria a melhor opção.

Na lógica da questão anterior. Que balanço fazem das gravações nos Ultra Sound e da produção do Ep?

Zé Diogo – Estamos inteiramente satisfeitos com o trabalho efectuado em estúdio, gravações e produção do EP. O trabalho final está uma bomba.

Como funcionam os Anifernyen em termos de composição? Quem são os elementos que estão (mais) ligados ao processo criativo?

Zé Diogo – A composição tem sido feita por mim e pelo Luís, no entanto, todos os membros têm a mesma liberdade de compor. Não há um processo definido, acontece tudo de uma forma natural e na maior parte das vezes durante os ensaios.

O Ep é composto por cinco temas. Podem fazer uma pequena descrição de cada um dos temas?

Luís Ferreira – “Lidless” é uma música rápida e com energia. É muito diversificada e um bom tema para começar o EP porque mostra um pouco dos nossos dois lados, o brutal e o melódico.

Quando decidimos compor “Dies Irae”, o objectivo era fazer algo de novo que ainda não estivesse feito. A ideia inicial rodou muito à volta de riffs improváveis e algo estranhos. A estrutura foi-se compondo, limaram-se algumas arestas e acho que o resultado final é satisfatório!

“Hectic Red” é uma história de um distúrbio mental onde o vermelho funciona como gerador de caos e confusão. A música é mais ritmada e vai ao encontro com o tema acelerando nos momentos de maior tensão.

“Mind Pattern” é o nosso hino às raízes. Começa com um bom ritmo característico do heavy metal tradicional e rapidamente aumenta para uma rapidez digna do black. É uma faixa com ambientes diferentes. Existem na música paragens, riffs mais progressivos, solos,… Acho que é o tema mais diversificado e o que tem tido melhores críticas.

“The Scarlet Winter” (a.k.a. Elas fogem de mim como o diabo da cruz! – private joke) é uma música de estrutura não muito complexa mas de melodia e ritmo contagiantes. Tanto esta como “Lidless” estão disponíveis para audição no nosso myspace.

O que falta para a edição do Ep e quando prevêem essa mesma edição (ndr: a entrevista foi feita antes da edição do Ep)?

Ze Diogo – O produto final já está pronto desde a primeira semana de Junho. A edição está limitada a 1000 digipacks e o preço deverá rondar os 7€.

Como pensam promover o Ep? Têm já alguma série de concertos previstos, ou as situações vão surgindo?

Luís Ferreira – O lançamento do Ep, assim como o de algum material promocional, será realizado no dia 28 de Junho no Forum, em Riba D’Ave. A partir daí, seguir-se-á a divulgação na net e acontecerá mais uma série de concertos. Estejam atentos, consultem o nosso myspace que é actualizado diariamente. Paralelamente, uma série de rádios, webzines e revistas irão receber o cd pelo correio para que seja divulgado convenientemente.

Naturalmente, como quase todas as bandas, pretendem conseguir um acordo com uma editora. Já houve algum contacto nesse aspecto?

Luís Ferreira – Não. Hoje em dia é difícil fazer estragos com um EP. Aquilo que queremos para já é divulgar o que fazemos ao maior número de pessoas. A seu tempo irão vir outros trabalhos e outras perspectivas. Possivelmente um álbum, quem sabe.

Últimas palavras para os lusitanos de peso?

Zé Diogo – Obrigado pela entrevista, continuem a lutar pelo Metal nacional, comprem os nossos cds e t-shirts, apareçam nos concertos e paguem-nos bebidas!

Luís Ferreira – Consultem o nosso myspace e deixem um comentário sobre o que ouviram. É sempre bom saber o que as pessoas pensam (aceitam-se criticas boas e más desde que sejam construtivas).

Anifernyen são:

Ricky (voz)
Luis (guitarra)
Gito (baixo)
Diogo (guitarra)
Madeiras (bateria)

Site: http://www.anifernyen.com.sapo.pt/
Myspace: http://www.myspace.com/anifernyenmp3
Contacto: anifernyen@portugalmail.pt

3 Respostas leave one →
  1. 2008 Junho 15
    Rui Teles permalink

    zé pagava-te era uma t’shirt mais colorida :D tá mt bom o vosso trabalho… abc

  2. 2008 Junho 15
    rui permalink

    zé pagava-te era uma t’shirt mais colorida :D tá mt bom o vosso trabalho… abc

  3. 2008 Junho 30
    forum permalink

    PARABENS AOS ANIFERNYEN..!
    O LANÇAMENTO DO EP FOI UM SUCESSO, GRANDE CONCERTO FEITO POR ESTES BACANOS.
    APAREÇAM PARA DAR NOTICIAS, PODE SER QUE SE CONTROLEM UMAS BORLAS…HE, HE.
    E AO RESTO DA MALTA SAIAM DE CASA PARA OUVIR ESTES GAJOS, E JA AGORA, APAREÇAM NO FORUMcafé.
    UM ABRAÇO…

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